domingo, 24 de novembro de 2013

Tom Hanks, o Menino Joaquim e a democracia do diabetes.




Todos conhecemos os inúmeros filmes e o dom de atuar de Tom Hanks. Poderia citar "O Contador de Histórias" (Forrest Gump) , "O Código Da Vinci",  "O Resgate de Soldado Ryan", "O Terminal",  "Filadélfia", etc, etc. 
Além do reconhecimento internacional, imaginem o reconhecimento financeiro deste homem. Imaginem a sua conta bancária. 
Pois é! Imaginou? 
Imagine que este mesmo homem disse em rede nacional americana, num dos programas de maior audiência,  que é é diabético tipo 2. Isto mesmo. Além de falar de seu trabalho, aproveitou e disse que tinha diabetes. 
Será que temos idéia de quanto recurso ele tem para tratar sua doença? De nada isto adianta agora. O que ele terá de fazer é o mesmo que muitos terão: alimentação saudável, exercícios, medicamentos, algumas adaptações...
Não é pelo fato de ele ter diabetes que todos agora apenas se lembrarão dele por causa disto. Tenho certeza que todos continuaremos vendo seus filmes do mesmo jeito, vibrando, gostando, não gostando... mas o fato é que o diabetes é apenas mais uma característica dentre várias que Tom Hank possui. 
E o mesmo se aplica ao caso do menino Joaquim. Ele infelizmente foi vítima de violência. Não sabemos de quem é a culpa, mas ele é vítima do mesmo jeito. Independente de ele ser diabético, é mais um número da lista de violências no Brasil. Claro que o diabetes o tornou mais vulnerável, mas não sabemos se isto mudaria muito o desfecho do problema. Ninguém saberá dizer. 
Por isso é que o diabetes é uma doença democrática (felizmente ou infelizmente). Acomete milionários, crianças, pobres, idosos, famílias desestruturadas, famílias equilibradas, etc. 
Nem Tom Hanks, nem o Menino Joaquim estão à salvo de qualquer intempérie. Nenhum de nós está. 

Somos todos iguais. O diabetes é apenas mais uma característica de cada indivíduo. 



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Leonard Thompson, Marjorie e o descobrimento da insulina em 1922

        O desenvolvimento da insulina foi um marco na medicina moderna. Apesar de o diabetes ter sido mencionado por egípcios desde 1552 antes da era cristã, muito pouco foi feito para seu tratamento até o século XX. O diabetes era praticamente uma sentença de morte.
        Em 1920 um cirurgião da cidade de London (província de Ontario) chamado Frederick Banting teve uma idéia sobre o desenvolvimento da insulina. Numa noite, durante um sonho, Banting tinha tido a idéia de fazer a ligadura (obstrução) dos ductos pancreáticos de pâncreas de cachorros. Com isto, as enzimas digestivas do pâncreas promoveriam uma espécie de "autodigestão" do pâncreas e ele poderia isolar apenas as ilhotas pancreáticas responsáveis pela produção de insulina. Ele acordou deste sonho e o escreveu num pequeno pedaço de papel para não esquecer. 
       Por conta desta idéia, mudou-se para Toronto e procurou um importante professor e estudioso sobre metabolismo dos carboidratos chamado MacLeod.
       Sem acreditar muito nas idéias deste cirurgião, o professor MacLeod lhe ofereceu um laboratório simples e 10 cães para serem usados nas férias de verão da Universidade enquanto ele mesmo tiraria férias. Juntamente com Banting, um jovem estudante chamado Charles Best colaborou enormemente com as pesquisas.
        Eles botaram em prática a idéia de Banting para isolar a insulina e aplicaram o extrato pancreático (então chamado "isletina") em modelos de cães diabéticos que tiveram seus pâncreas previamente retirados.
        Após algumas tentativas, o maior sucesso aconteceu com uma cachorrinha diabética chamada Marjorie, que sobreviveu 70 dias após a retirada seu pâncreas usando o novo medicamento desenvolvido pela dupla de cientistas.
        Com a inexperada boa evolução das pesquisas, o Prof Macleod ofereceu maior estrutura e equipamentos e ainda uniu à equipe um químico chamado Collip, para promover uma maior purificação do hormônio pancreático.
        Com o hormônio mais purificado, um menino de 14 anos chamado Leonard Thompson foi o primeiro a receber a injeção em 11 janeiro de 1922. Geralmente naquela época o paciente diabético tinha sobrevida de alguns meses e quando muito poucos anos. Leonard Thompson viveu inacreditavelmente 27 anos (muito tempo para a época) e faleceu de pneumonia.
         Em agosto de 1922, a filha de um dos homens mais poderosos do mundo, o então secretário de Estado dos Estados Unidos,  Charles Evans Huges tornara-se diabética e sofria com os sintomas. Era Elizabeth Huges, uma menina de 14 anos que mudou-se para Toronto e também iniciou o uso de insulina. Increditavelmente ela faleceu somente aos 74 anos, em 1981.
         Por motivos óbvios, o quarteto formado por MacLeod, Banting, Best e Collip dividiram o Prêmio Nobel de Medicina de 1923. Não menos importantes foram os papéis desempenhados pelos voluntários desta pesquisa, pelos animais e pelos auxiliares de pesquisa envolvidos neste episódio.

         Para saber mais detalhes desta fascinante história recomendo a leitura do livro "The Discovery of Insulin por Michael Bliss - 25a edição - editado pela London Review Books" . Basta acessar o link  http://www.amazon.com/The-Discovery-Insulin-Twenty-fifth-Anniversary/dp/0226058999
       
       



     
     



Papel em que Banting escreveu seu sonho de como
 isolar a insulina em cães ( outubro de 1920).
Foto de Leonard Thompson antes e depois do uso de insulina

Foto de Banting, Best e a cadelinha Marjorie
Laboratório simples em que Banting e Best trabalharam
na Universidade de Toronto








domingo, 29 de setembro de 2013

Mais notícias sobre Pâncreas artificial vindas do Congresso Europeu de Diabetes em Barcelona



               Obviamente que o maior foco de nosso grupo de pesquisa da USP- Ribeirão Preto é a terapia celular, mas aspectos tecnológicos sempre aguçam a curiosidade de médicos e pacientes diabéticos.
               O pâncreas artificial vem sendo estudado desde a década de 70/80 e parece ser uma promessa que nunca de cumpre. Há diversos projetos no mundo inteiro realizados por diferentes centros renomados de pesquisas.
               Dos dia 22 a 27 de setembro foi realizado em Barcelona o 49 Congresso Europeu de Diabetes. Durante a visita aos stands me encontrei com membros de uma das empresas que mais estudam e desenvolvem tecnologia em Diabetes - a Medtronic. Ela vende algumas bombas de insulina existentes no Brasil há mais de 1 década.
               No stand pude ver o protótipo do que será o pâncreas artificial desenvolvido por eles e que  estará no mercado em 2-3 anos (conforme me prometeram).
               Na foto acima vocês podem ver a bomba de insulina acoplada com o dispositivo que mede a glicose (2 dispositivos no topo da figura). Tanto a infusão de insulina pela bomba quanto a medição de glicose se dão pela pele. O pulo do gato é que isto e feito automaticamente sem necessidade de contagem de carboidratos.
              Para que seja automático porém, é necessário que a bomba interprete o resultado do sensor de glicose e tome a decisão autonomamente. Pare resolver isto, estes aparelhos se mantêm conectados via bluetooth com um aplicativo do sistema operacional Android (smartphone ou tablet) e um equipamento da Medtronic que traduz os estímulos elétricos gerados pelo sensor de glicose em graus diferentes de infusão de insulina.
               Vários estudos já foram realizados e ainda estão em andamento com crianças, jovens , adultos, gestantes, etc.
               Enquanto esta nova tecnologia não está nas lojas, o que devemos fazer é manter o diabetes sob controle para podermos usufruir desta e de outras novidades que estão por vir.
               Vamos em frente!!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Você acha que seu diabetes está sob controle?


          

             Como todos sabemos o diabetes é uma doença silenciosa. Em outras palavras, ele tem a capacidade de nos trazer problemas sem entretanto nos dar alarmes.
            Infelizmente, de maneira geral procuramos ajuda quando temos sintomas como dor, febre, sangramento, extremo mal-estar, etc. É neste nosso ponto fraco que o diabetes pode nos surpreender negativamente.
            Muitos pacientes dizem a seguinte frase: “Eu conheço meu corpo e percebo que eu estou bem!” Porém, para ter certeza é necessário saber a quantas andam os níveis de glicose no sangue. Muitas vezes estou de frente a um paciente no consultório que está sem sintoma algum e quando meço a glicose o valor é de 450 mg/dl!
            Por isso, cada paciente deve discutir com seu médico a forma como deve medir as glicemias. Há pacientes que precisam medir as glicemias 5, 6 7 e às vezes até 8 vezes ao dia! Isto mesmo: 8 vezes ao dia! Há pacientes que precisam medir a glicemia a cada 2 ou 3 meses. Cada caso é um caso e deve ser discutido com seu médico.
            Que hora do dia devemos medir a glicose no sangue?  Muitos pacientes se acostumam  a medir as glicemias de manhã em jejum e quase nunca medem em outros horários. Devemos nos lembrar que o diabetes existe 24h por dia, 365 dias ao ano e por isso é necessário haver rodízio nos horários de medição. Os horários básicos são antes e 2h após o inicio do café da manhã, almoço e jantar e também às 3h da manhã. Obviamente que o número de medições varia de paciente para paciente.  Muitos pacientes porém medem todos os dias, mas quase nunca medem após o café da manhã ou após o jantar ou na madrugada. Isto deve ser policiado pelo médico e paciente.

Quais as metas de tratamento?
As metas são discutidas entre médico e paciente e individualizadas. Em adultos costumamos usar meta de glicemia antes das refeições menor do que 120 mg/dl e meta após as refeições menor do que 140 mg/dl. Estes valores podem ser aumentados em casos particulares como idosos e crianças. É bom deixar claro aumentos esporádicos de glicemia em nada interferem no risco de complicações cr6onicas do diabetes. Todo o paciente diabético apresenta elevações ocasionais de glicose, mas o que realmente nos preocupa é quando as elevações se tornam frequentes. Caso isto ocorra uma mudança no estilo de vida ou mudança nas doses de insulina devem ser feitos em conjunto  com o médico.

Hemoglobina glicada
            Todos sabemos que é impossível medir-se as glicemias a todo o minuto todos os dias. Haja dedos... Por isso, temos uma ferramenta que nos mostra a média das glicemias dos últimos 3 meses. Isto se chama hemoglobina glicada. A hemoglobina glicada mostra o percentual de glóbulos vermelhos estão “açucarados”. Normalmente pacientes diabéticos possuem meta abaixo de 7%. Idosos e crianças costumam ter metas abaixo de 8%, mas conforme dito antes, isto deve ser discutido caso a caso com o médico assistente.  Quanto mais tempo o paciente estiver com as glicemias e com a hemoglobina glicada acima das metas, maior o risco de sequelas a longo prazo. Alguns pacientes tentam fazer alguma forma de dieta para colher exames ou burlar o resultado dos exames de glicemia capilar, mas com a hemoglobina glicada podemos checar e confrontar os resultados. É com se a hemoglobina glicada fosse uma espécie de “dedo-duro” da vida do paciente diabético nos últimos 3 meses. 

Como anotar as glicemias?
As anotações de glicemia são fundamentais. Sem as anotações não há como o endocrinologista saber se as doses atuais de insulina estão adequadas ou não. Muitos pacientes entretanto anotam glicemias exclusivamente para levar para seu médico. É fundamental todos saberem que as anotações são primariamente para o próprio paciente ponderar sobre os resultados de seu tratamento, de sua reeducação alimentar e de seus exercícios.
O método mais conhecido de anotação é o caderninho. Para os pacientes mais afeitos à tecnologia temos:
·      aplicativos para celulares que conectam as glicemias do paciente ao médico em      
     tempo real;
·      tabelas em EXCEL;
·  programas que descarregam os dados do aparelho de glicemia diretamente no computador de médico e paciente.  

IMPORTANTE: É MUITO COMUM PACIENTE DIABÉTICOS APRESENTAREM UM PICO ESPORÁDICO E OCASIONAL DE GLICOSE MAIS ALTA. TAMBÉM
PODEM APRESENTAR HIPOGLICEMIA EXCEPCIONALMENTE. AS MUDANCAS NAS DOSES DE INSULINA SOMENTE DEVEM SER FEITAS SE ESTAS ALTERAÇÕES SE TORNAREM FREQUENTES.
            

terça-feira, 4 de junho de 2013

O que você prefere: Viver mais? Viver melhor? Ou ambos?

Muitos dizem que antigamente tínhamos uma vida mais saudável e muitos conhecemos pessoas que viveram 90 ou 100 anos. É bom deixar claro porém que infelizmente isto era exceção e não a regra. 

Muitas coisas melhoraram no último século e dentre elas podemos citar como principais as medidas populacionais sanitárias e de higiene, gerando menor mortalidade infantil e menor mortalidade por doenças infecto-parasitarias. 

Obviamente que em paralelo a estas medidas de saúde pública houve uma enorme evolução dos recursos médico-hospitalares nas últimas décadas. procedimentos médicos complexos como transplante de órgãos, ventilação mecânica e novos medicamentos passaram a fazer com que vivêssemos mais, mesmo após diagnóstico de doenças outrora consideradas graves.

Segundo o IBGE, na década de 1940 a expectativa de vida dos brasileiros era de 42,7 anos. Devido a melhoras sanitárias e de higiene observamos um aumento exuberante e sempre progressivo desta expectativa de vida. Nós nunca retrocedemos na expectativa média de vida no Brasil. Este número vem sempre aumentando ano após ano. 

Só para termos uma idéia, a expectativa média de vida para quem nasceu em 2011 já era 74 anos. 

Mas será que viver mais significa viver melhor? Claro que não! 

Como estamos vivendo muito mais do que antes, estamos apresentando mais doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol e triglicérides alterados, infarto do miocárdio, derrame cerebral, doença de Alzheimer, diversos tipos de câncer, doenças ósteo-articulares, etc. 

Pesquisa recentemente publicada da Faculdade de Medicina da USP - São Paulo mostrou que muitos dos anos a mais que estamos vivendo estão sendo sem uma boa qualidade de vida e isto é fruto de uma mal preparação nossa para a velhice. Muitos inclusive vivem enclausurados em camas de hospital ou em casa. 

No dia-a-dia de consultório o que mais presencio são pessoas que trabalharam a vida toda para formar sua família, filhos, produzir riqueza e por fim, quando se aposentam (ou mesmo antes) já vivem de consultório em consultório apagando "incêndios" de sua saúde. 

Até mesmo do ponto de vista econômico, vale à pena envelhecer com saúde, pois com isto podemos trabalhar mais, produzir mais riqueza e ainda, de quebra, gastar menos dinheiro com remédios. Ter Saúde é ter Riqueza!

Devemos lembrar que a vida é uma longa maratona (e não uma corrida de 100m rasos) e que não devemos e nem podemos gastar toda a nossa saúde de uma só vez nas primeiras décadas de vida. 

Por isto, sempre valem à pena as recomendações de sempre:
consultas médicas regulares, realização de check-ups periódicos,  alimentação saudável e exercícios regulares. 

Vida longa e saudável a todos nós!

domingo, 12 de maio de 2013

Parabéns às Mamães-Pâncreas palo seu dia



O diabetes é uma doença democrática. Acomete pessoas ricas, pobres, brancas, negras, amarelas, altas, baixas, americanos, brasileiros, europeus, etc. Inclusive o diabetes acomete crianças pequenas e que precisam de ajuda de seus pais para literalmente sobreviver.

Graças a Deus em 1922 a insulina foi desenvolvida no Canadá e o diabetes tipo 1 que era uma doença letal passou a ser uma doença controlável. Controlável sim mas que precisa de muita (mas muita) ajuda dos pais.

Por diversos motivos, inclusive culturais e biológicos, frequentemente as mães ficam mais à frente do tratamento do diabetes dos pequenos. Obviamente muitos pais ocupam este papel em diversas famílias.

Recentemente vi esta nova denominação nas redes sociais e achei super-interessante e ultra-definidora das atividades das mães que praticamente abdicam de suas vidas (pessoal e profissional) para cuidar de seus filhos com diabetes.

Mãe-Pâncreas

Muitas pessoas que adquiriram o diabetes na vida adulta certamente não sabem das atribuições de uma Mãe-Pâncreas.

A Mãe-Pâncreas faz basicamente o que o pâncreas normal faz e ainda muito mais:
- mede a glicose várias vezes ao dia e inclusive acorda de madrugada para ver se está tudo bem;
- conta os carboidratos das refeições;
- aplica as doses necessárias de insulina inúmeras vezes ao dia;
- oferece açúcar em casos de hipoglicemia;
-acorda de madrugada para medir glicose e para
- é psicóloga, professora, enfermeira, médica...
- é Mãe

Fiquem atentos também para seus direitos. Cuidadores que trabalham regidos pela CLT têm direito a obter licença remunerada paga pelo empregador nos primeiros 15 dias e a partir deste período ela será paga pela Previdênca Social.


"Lei nº 8.112/90 que trata do regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais, especialmente no Capítulo V – Das Licenças –, Seção I, artigo 81, inciso I, in verbis"conceder-se-á ao servidor licença: I – por motivo de doença em pessoa da família", posteriormente ampliado no artigo 83 sobre as condições e requisitos para o benefício."

Leia mais em: http://jus.com.br/revista/texto/17875/a-concessao-de-licenca-por-motivo-de-doenca-em-pessoa-da-familia-para-trabalhadores-regidos-pela-clt#ixzz2T7oLcRps

domingo, 20 de janeiro de 2013

Pesquisa pioneira mundialmente realizada pela USP - Ribeirão Preto é destaque no Jornal Nacional



Em janeiro de 2013 a jornalista Sandra Passarinho tem exibido no Jornal Nacional uma série de pesquisas nacionais sobre o uso clínico e prático de células-tronco.

Na edição de sábado dia 19/01/2013 ela dedicou especialmente aos estudos pioneiros mundialmente de nosso grupo de pesquisa de células-tronco da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.

Esta pesquisa tem sido exportada para diversos países da Europa e Estados Unidos.

Apesar de promissora esta pesquisa, ainda não podemos utilizar a palavra "cura", mas temos melhorado muito a qualidade de vida dos portadores de diabetes tipo 1 submetidos.

Por ser uma pesquisa, não sabemos se os resultados a longo prazo serão bons ou ruins e ainda não estamos completamente certos da segurança deste estudo. Por isso, há inúmeros critérios de inclusão para nossos estudos, sendo os iniciais:
-Idade acima de 18 anos;
-Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas.

Clique no link abaixo e assista à matéria exibida no Jornal nacional.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/01/celulas-tronco-estao-ajudando-combater-tipo-perigoso-de-diabetes.html





"O Futuro do Diabete"agora também na versão dIgItal no site do IBA

Para quem procura nosso livro "O Futuro do Diabete" pode adquiri-lo pelo site do IBA em versão digital

Outra possibilidade é receber o livro em casa solicitando no site da Loja Abril 



sábado, 19 de janeiro de 2013

Os Rins e o Diabetes





Mesmo anos antes do nascimento de Cristo o diabetes mellitus sempre se confundiu muito com os rins. Os médicos antigos julgavam que o paciente diabético apresentaria um problema renal que o fazia urinar excessivamente. 

Apesar de sabermos bem que os rins não são a causa do diabetes mellitus, sabemos que eles estão intimamente ligados a esta doença. 

Infelizmente o diabetes é a principal causa de insuficiência rena crônica  no mundo. É bom frisar que o diabetes normalmente provoca insuficiência renal quando mal controlado por muitos e muitos anos. 
Os rins são dois órgãos em forma de feijão, localizados no abdome. Eles têm a função de filtrar as impurezas do sangue. Se ele para de funcionar as impurezas permanecem no sangue trazendo diversos malefícios ao organismo. 

Quando se fala de rins muitos lembram das famosas cólicas na região lombar (dor nas costas), urina com sangue, etc. Porém, na realidade os maiores problemas nos rins praticamente não provocam sintomas óbvios claros. 

Por isso, todo paciente portador de diabetes deve realizar exames de urina pelo menos anualmente em busca de qualquer alteração urinária. É importante destacar que os exames de urina são capazes de identificar alterações precoces da função renal ainda em tempo de serem revertidas ou pelo menos estabilizadas. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Depoimento de Dado Villa-Lobos

Muito  interessante este depoimento do fantástico músico dado Villa-Lobos. neste vídeo ele conta como vem sendo sua vida de shows e viagens ao longo de mais de 35 anos de diabetes (e sem complicações). 




Clique no link abaixo e acesse o vídeo


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem pode se candidatar para as pesquisas com células-tronco?


É com muita satisfação que o Brasil é pioneiro mundial no uso de células-tronco para diabetes tipo 1. Nossas pesquisas se inciaram em 2003 e seguem até hoje. Infelizmente não promovemos cura mas sim tentamos uma maneira inovadora e singular na sua abordagem.
Como mostramos bem, tratam-se apenas de pesquisas e muito teremos que estudar para chegar em qualquer conclusão.
Vale destacar que nossa equipe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - USP é enorme e montada pelo Prof Júlio Voltarelli. Temos na equipe enfermeiros, auxiliares de enfermagem, terapeutas ocupacionais, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, médicos de outras especialidades, ou seja, somos um grande time.
Atualmente, em 2012, nossos estudos foram aprovados pelo FDA e disseminados nos Estados Unidos e Europa. 
Para ser voluntários são necessários preencher inúmeros critérios de inclusão sendo que os iniciais são:
Idade entre 18 e 35 anos;
Diabetes tipo 1 há menos de 3 meses.



domingo, 14 de outubro de 2012

O que você é? Muito mais do que portador de diabetes e muito mais do que ator mirim!

         João Fernandes, o Picolé, posa para o EGO na praia de Botafogo  (Foto: Marcos Serra Lima/EGO)

Faço este texto para parabenizar a matéria feita pela jornalista Bárbara Duffles no site EGO das organizações Globo. 

Nesta reportagem, a jornalista aborda o dia-a-dia do pequeno ator João Fernandes de maneira bem simples  e sucintamente cita que o ator é portador de diabetes. Muitos leigos tratam os portadores de diabetes de maneira erroneamente diferenciada. Parece que a pessoa só possui um adjetivo: diabético. É um grande erro querer minimizar o ser humano a apenas uma característica. Todos somos muitas pessoas dentro de um só corpo...

Muitos familiares e amigos se referem aos portadores como "O diabético". Parece que o menino não tem nome, não tem família. É como se definíssemos uma pessoa apenas por uma de suas características.

Espero que esta matéria (que pode ser acessada no link http://ego.globo.com/criancas/noticia/2012/10/ator-mirim-vence-diabetes-e-ganha-espaco-na-reta-final-de-avenida-brasil.html)  seja exemplo para os demais jornalistas, para os pais e familiares. 





sábado, 6 de outubro de 2012

Carros, motos e diabetes

Muitas pessoas têm como "hobby" o encontro com amigos e familiares  para um passeio de carro ou de moto. Muitos curtem um motor mais potente na sua moto ou um "design" mais arrojado na motocicleta e até mesmo mais velocidade nas arrancadas. Hoje em dia existe um grande mercado deste tipo de entretenimento inclusive com importante venda de acessórios como capacetes, jaquetas, botas, etc.

É sabido que temos no Brasil cerca de 12 milhões de portadores de diabetes, sendo que cerca de 12% dos adultos são acometidos por esta condição.

É natural pensar que em meio aos que curtem carros e motos, muitos são portadores de diabetes inclusive em uso de insulina.

Como sempre advogo, o portador de diabetes pode e deve fazer tudo que puder ter acesso. Nadar, escalar montanhas, fazer mergulhos submarinos, etc. A diferença é que o portador de diabetes deve tomar uns cuidados a mais.

Imagine uma pessoa que tem diabetes sofrer hipoglicemia pilotando uma moto a 110 km/h...

Imagine um portador de diabetes viajando para praia com sua família e sente-me mal ao volante numa curva da estrada Rio-Santos...

Algumas condições devem ser levadas em conta ao utilizar veículos motorizados e são considerados fatores de maior risco como:

- deficiência visual geralmente por graus avançados de retinopatia diabética, catarata ou glaucoma.
- neuropatia diabética - doença dos nervos em que o paciente pode ter diminuição de sensibilidade nos pés e pode não dominar completamente os pedais da moto ou do carro.
- grandes oscilações de glicemia.
- hipoglicemias frequentes. 

Por isso, portadores de diabetes e especialmente os usuários de insulina devem fazer uma lista de tarefas:
- acondicionar as insulinas adequadamente evitando expô-las ao sol e ao calor excessivo. O porta-luvas às vezes fica muito quente.
- ter sempre consigo a carteira de identificação de portador de diabetes.
- ter sempre consigo uma fonte de açúcar de liberação rápida para casos de hipoglicemia como por exemplo sachês de açúcar líquido. Lembre-se que em muitas estradas não há pontos de parada e uma hipoglicemia pode acontecer em qualquer lugar.
- É sempre bom medir a glicemia periodicamente. Não há regras para isto, mas é sempre bom o motociclista medir as glicemias com mais frequência, por exemplo antes da jornada e a cada 2 horas.

Lembre-se sempre de discutir com seu endocrinologista o que deve ser feito especificamente em seu caso.



Perspectivas futuras

Recentemente foram lançados no mercado aparelhos que têm um pequeno fio de silicone acoplado no tecido subcutâneo de pacientes portadores de diabetes. Este aparelho em seguida emite sinal via bluetooth para a tela de LCD do carro que mostra praticamente em tempo real a evolução das glicemias (veja figura abaixo).

O aparelho que mede glicose em tempo real já é vendido no Brasil, mas os carros com este dispositivos ainda não chegaram em nosso mercado. A Lincoln e a Ford já dispõe de carros com estes dispositivos.


Aparelho acoplado à pele do paciente que emite sinal para o pager
 (da foto acima) ou para o monitor do carro. O sinal de glicemia é enviado a cada 5 minutos






Carro  Lincoln MKZ com monitor que recebe via bluetooth sinal de glicemia do monitor de glicose








terça-feira, 11 de setembro de 2012

Reunião de transplante de Céluls-tronco em Chicago 2012

Mais um ano se passou e fomos nós mais uma vez para a reunião de pesquisa sobre células-tronco em doenças auto-imumnes organizado pela Northwestern University de Chicago sob a tutela do Dr Richard Burt.
Este ano tivemos a maior comitiva brasileira com 5 médicos pesquisadores do Brasil , todos da USP - Ribeirão Preto. Juntamente estavam pesquisadores de Upsala-Suécia, Chicago, Miami, Houston-Estados Unidos, Shefield-Reino Unido, Paris-França, Leiden - Holanda, Índia e China.
Todas as discussões foram exclusivamente referentes a pesquisas em comum entre todos os grupos e especialmente em humanos. 
Como podem ver, trata-se de um grupo pequeno e seleto que temos a honra de fazer parte. Especialmente nas discussões sobre o projeto de pesquisa em diabetes, das 5 apresentações 3 foram do nosso grupo. Outros grandes nomes presentes e que abrilhantaram ainda mais a reunião foi do Dr Camillo Ricordi da Universidade de  Miami e do Dr Bart Roep, de Leiden - Holanda. Ambos trabalham há anos com imunologia do diabetes, transplante de ilhotas e de pâncreas, vacinação contra diabetes, etc. 
Estamos felizes mais uma vez porque tivemos chance de não só aprender cada vez mais com estas discussões mas também poder humildemente levar também nossa produção científica a um grupo tão especializado. 
Não tenho dúvida de que o futuro está cada vez mais perto e que em meio a tanta tecnologia ligada ao diabetes o uso de células-tronco terá um papel destaque neste cenário. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Programa "Matéria de Capa"da TV cultura aborda os avanços da ciência nacional

No domingo día 22 de julho o programa "Matéria de Capa" comandado pelo jornalista Aldo Quiroga na TV Cultura mostrou os diversos avanços da ciência nacional no tratamento de doenças como diabetes tipo 1 e lesões nervosas com o uso de células-tronco. Os depoimentos dos pacientes foram marcantes. Nosso paciente Renato Silveira, futuro médico, deu um show na entrevista. 

Clique no link abaixo e assista ao vídeo

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Por que tomar tantos remédios?

Muitos pacientes me perguntam no dia-a-dia do consultório: "Por que tomar tantos remédios? Por que tomar a vida toda? 

Se pararmos para pensar, nossa expectativa de vida aumenta cada vez mais ao longo dos séculos. Isto certamente se deve a medidas preventivas como saneamento, higiene, etc. Se deve também aos avanços da medicina. 

Todos podemos lembrar que até há pouco tempo era possível um paciente morrer de tuberculose ou úlcera gástrica ou pneumonia e isto hoje é bem mais difícil de acontecer. 

Por outro lado, como estamos vivendo mais, estando tendo mais doenças relacionadas à senilidade como hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol e triglicérides alterados, obesidade, infarto do coração e derrame cerebral. Ou seja, estamos apresentando mais doenças crônicas que infelizmente não possuem cura.  Estas doenças dificilmente terão cura pois estão intimamente ligada aos hábitos de vida das pessoas como sedentarismo e má alimentação. 

Muitos pacientes apresentam muitas doenças ao mesmo tempo e por isso acabam necessitando de muitos remédios ao longo do dia. Sei que os remédios podem induzir a efeitos colaterais, mas certamente os benefícios dos medicamentos suplantam estes efeitos adversos. 

O uso regular dos remédios conforme prescrição médica é fundamental para o sucesso terapêutico. Não é prudente deixar de tomar os remédios quer seja por puro esquecimento ou de propósito. Como o diabetes não induz muitos sintomas, é muito comum pacientes deixarem de tomar os remédios por justamente não sentirem quase nada. 
Aposto que se tivéssemos dor de cabeça ou dor de dente não hesitaríamos em tomar quantos remédios fossem necessários para reduzir a dor. 
Quando se trata de idosos e crianças o cuidado deve ser redobrado. Deve-se checar e rechecar o uso dos remédios ou até mesmo colocá-los na boca dos pacientes (e isto mesmo).  Deve-se contar o número deles nas caixas para saber se o paciente está realmente tomando a dose recomendada.
Quanto ao uso de insulina, devemos ressaltar que quaisquer pequenas mudanças nas doses, sem orientação médica, pode induzir a quadros de hiper ou hipoglicemias assombrosos. Familiares e pacientes devem sempre examinar os locais das injeções de insulina para visualizar a ocorrência de lesões cutâneas nestes sítios de aplicação. 
Por fim, em resumo, devemos ter em mente que os remédios existem para nos ajudar e não são nossos inimigos. 

Bom tratamento a todos...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ator da novela das 9 conta como foi sua vida após o Diabetes


O jovem ator José Loreto, o Darkson da novela das 9, conta como foi sua vida após descobrir, aos 15 aos, que era portador de diabetes tipo 1. Em vez de se revoltar e negar o diabetes, o ator conta conta como os esportes e os hábitos de vida saudáveis nortearam sua vida após o diagnóstico.


Clique no link ao lado e leia a matéria na íntegra: http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,ERT305619-8192,00.html



Ator José Loreto, diagnosticado portador de diabetes tio 1 aos 15 anos. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Márcia Peltier aborda de forma clara e objetiva o tema "Diabetes"


No dia 5 de junho de 2012 a jornalista Márcia Peltier fez uma entrevista muito clara, objetiva e elucidativa discutindo diversos aspectos do diabetes:
Quais os principais sintomas?
Como dar o diagnóstico?
Quem são as pessoas com maior risco de adquirir a doença?
Como estão nossas pesquisas pioneiras mundialmente com transplante de células-tronco em diabetes?



Para visualizar a entrevista na íntegra, clique no link abaixo:


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Tenha em mãos a carteirinha de identificação do portador de diabetes

Imagine um rapaz de 15 anos de idade com tremores, suor frio e comportamento estranho. Para a maioria da população ele pode ser encarado com usuário de drogas, concordam? Mas na realidade ode ser um diabético com hipoglicemia.

Imaginem uma pessoa desacordada no chão de uma grande avenida. Muitos poderão achar que é um mendigo ou andarilho ou um bêbado. mas na realidade pode ser uma pessoa diabética com hipoglicemia que caiu na calçada de uma hora para outra. 

Por isso  e por diversos outros motivos, é sempre bom que o portador de diabetes saiba informar seu diagnóstico e os medicamentos que usa. 

Para as situações em que o portador não tem condições de se comunicar, é FUNDAMENTAL  ter na carteira ou na bolsa a carteinha de identificação do portador de diabetes. 

Basta clicar no cartão abaixo, imprimir, preecher e tê-lo sempre consigo. Espero nunca precisar dele. 





domingo, 10 de junho de 2012

Diabetes. Aceitar ou aceitar esta condição: Eis a Questão!

Fico feliz quando atendo pacientes diabéticos nos dias de hoje. Temos insulinas modernas, aparelhos modernos de medição de glicemia, alimentos diet e light, contagem de carboidratos, bomba de infusão, etc.
Recebemos inúmeros pacientes e/ou pais de pacientes diariamente no consultório que têm total condiçao cultural para entender o "funcionamento" do diabetes mas não o fazem. Muitos nos procuram para tentar ficar livre da "dieta chata" e das |"picadinhas de insulina",
Será que todos os ditos "normais" não têm de ter moderação alimentar?
Será que todos os ditos "normais" não devem fazer exercícios físicos regularmente?
Será que todos os ditos "normais" não devem fazer extravagância alimentar apenas de vez em quando?

Se o paciente diabético for inteligente, tendo um estilo de vida saudável ele viverá mais e melhor do que os ditos "normais" que usam refrigerantes normais, comem excessivamente, ingerem doces e gorduras sem restrição e são sedentários.

Na realidade, o estilo de vida do diabético é o estilo de vida que todos  nós devemos ter.

Uma coisa porém impede que muitos diabéticos sigam as recomendações corretas: A falta de aceitação!
Isto muitas vezes é o divisor de águas entre um diabético saudável e um diabético que terá complicações no futuro.  Portanto, há 2 possibilidades para o paciente diabético: Aceitar ou aceitar.

Aceitar o diabetes não significa porém ficar parado apático e não correr atrás das novidades. Aceitar o diabetes significa estar resolvido consigo mesmo, controlado e aí então apto a usufruir dos novos avanços que estão por vir em muito breve, quer sejam células-tronco, pâncreas artificial ou outras novidades.