domingo, 15 de novembro de 2015

MGTV - Triângulo Mineiro aborda o Dia Mundial do Diabetes e aborda nossa pesquisa com transplante de células-tronco paa diabetes tipo 1

Como sabemos, o mês de novembro é o mês oficial do Diabetes.

Em 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes o jornal do MGTV  (Rede Globo - MG) discutiu sobre o tema e mostrou o caso de Lucas, um dos pacientes submetidos ao transplante de células-tronco da Equipe de Transplante de Células-tronco da USP - Ribeirão Preto. 

Achei a metéria muito séria e teve uma abordagem muito prática e esclarecedora.

Vale destacar que os critérios iniciais para participar de nossos estudos são:

- Idade entre 18-35 anos de idade;
- Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas;








sábado, 14 de novembro de 2015

Parabéns aos Vencedores

Neste Dia 14 de Novembro, dou meus parabéns aos pacientes diabéticos e aos seus familiares. Parabéns aos Vencedores!
São todos vencedores por passar em cima dos mitos e da falta de apoio governamental à altura; por passar por cima das eternas filas e da desinformação. Quem dera se a luta fosse apenas contra as "picadinhas" de insulina ou as "furadinhas" de dedo para medir a glicose.
Como filho, irmão, neto, sobrinho de vários pacientes diabéticos dou meus Parabéns aos Vencedores!
Cada um de nós, dentro do seu alcance, devemos colaborar. Não temos estatísticas atuais, mas estimativas apontam para uma prevalência de cerca de 10% de diabetes no Brasil.
Cada um deve cobrar dos governantes (muitos deles diabéticos) que NÓS elegemos.
A doença é silenciosa, mas nossos gritos devem ser ensurdecedores.

Parabéns aos Vencedores!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Você sabe o que é o BioHub? Uma nova linha de pesquisa em humanos se iniciou em agosto de 2015!

O transplante de ilhotas é uma técnica bem conhecida que vem sendo amplamente estudada especialmente nos últimos 30 anos.

O implante normalmente é feito com ilhotas pancreáticas de doadores cadáveres e quando implantadas no paciente produzem insulina e outros hormônios pancreáticos que podem tornar os pacientes livres da injeções diárias de insulina.

Classicamente estes implantes de ilhotas são feitos no fígado e os pacientes devem receber medicamentos contra rejeição.

Apesar de animadores, resultados recentes mostram que este tipo de procedimento não consegue manter o paciente livre de insulina por  muito tempo.

Com base neste cenário que em Agosto de 2015 o importante Instituto de Pesquisa em Diabetes (DRI) da Universidade de Miami iniciou um projeto ambicioso do BioHub.

O BioHub é uma trama ou malha contruída por meio de bioengenharia em que são adicionadas ilhotas de cadáveres que são envoltas pelo sangue do próprio paciente e implantadas na membrana que reveste internamente o abdome (chamado de omento). O implante é feito por uma pequena cirurgia abdominal.

O primeiro paciente com diabetes tipo 1 recebeu a BioHub em 28 de agosto e ainda não temos resultados. Mas sabemos que neste primeiro passo os pacientes terão de receber baixas doses de medicamentos imunossupressores (contra rejeição) e nos próximos testes o BioHub terá uma espécie de membrana protetora contra o ataque autoimune presente no diabetes tipo 1.

Este trabalho é feito por uma vasta equipe de profissionais renomados como Dr Camilo Ricordi, Jay Skyler e Dr Rodolfo Alejandro.

No Congresso Brasileiro de Diabetes de 2013 em Florianópolis a comissão organizadora teve a felicidade de fazer um simpósio sobre este tema com o Dr Alejandro. Eu presidi esta interessantíssima mesa e também pude dividir dados do transplante de células-tronco que fazemos pioneiramente no Brasil há mais de 10 anos.

Acesse no link abaixo da imagem e assiste ao  vídeo explicando detalhes do imlpante da BioHub.

https://www.youtube.com/watch?t=195&v=6YNRcDGf57o


Leia também:

Pâncreas artificial desenvolvido a partir de células-tronco: http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2015/06/pancreas-artificial-feito-com-celulas.html

Programa "Como Será?" de Sandrs Annenberg fala sobre o transplante de células-tronco desenvolvido pela USp- Ribeirão Preto
http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2015/05/programa-como-sera-de-sandra-annenberg.html




sábado, 20 de junho de 2015

Pâncreas artificial feito com células-tronco: pesquisas robustas estão em franco desenvolvimento!

Neste fim de semana fui convidado para um Simpósio Internacional sobre pesquisas com células-tronco na cidade de Sioux Falls - Dakota do Sul - Estados Unidos. Este simpósio foi promovido pelo Centro de Pesquisas de Sanford.
Neste evento estavam presentes pesquisadores de Boston, San Diego, Gainesville, etc e o tema principal era mostrar o que cada grupo vinha desenvolvendo de pesquisas e o que devemos esperar para o futuro das pessoas com diabetes.

Pesquisadores no Sanford Research Institute 
Além de mostrarmos nossas pesquisas com células-tronco realizadas no Brasil, um ponto que me chamou muito a atenção foi um projeto em andamento nos Estados Unidos promovido pela empresa ViaCyte. Trata-se do implante de células-tronco pancreáticas encapsuladas. Este produto é patenteado e é chamado de VC-01 no momento.

Como todos sabemos, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico do paciente ataca as células produtoras de insulina (células beta) localizadas nas ilhotas do pâncreas. Estas células param então de produzir a insulina e os níveis de glicose no sangue se elevam.

Como se deve imaginar, não basta infundirmos várias células beta no pâncreas dos pacientes com diabetes tipo 1. O próprio sistema imunológico dele irá destuir estas células.

O que o VC-01 representa é uma maneira de produzir ilhotas pancreáticas a partir de células-tronco pancreáticas. Estas células-tronco pancreáticas formarão células células beta, células alfa, etc.  As células-tronco são envoltas em uma membrana que impede que o sistema imunlógico do paciente reconheça-as como intrusas. Esta membrana é chamda Encaptra.

Isto pode ser chamado de pâncreas artificial biológico. Ela é implantado no tecido subcutâneo (abaixo da pele) nas costas e na parte lateral da barriga.

Os estudos em animais mostraram segurança e eficácia no controle do diabetes tipo 1, sem necessidade de aplicações de insulina.

Os estudos em humanos começam este ano e foram aprovados pela agência regulatória americana  (FDA) e em breve teremos resultados.

Veja abaixo algumas imagens do VC-01. Para mais informações acesse http://viacyte.com.

Esquema da membrana envolvendo células-tronco pancreáticas que formarão ilhotas quando implantadas no tecido subcutâneo dos pacientes. Esta membrana permite a irrigação sanguínea do VC-01 e também a secreção de insulina, mas previne o ataque autoimune. 


O tamanho é um pouco maior do que uma moeda americana.

Imagem real do VC-01. Tamalho um pouco maior do que uma moeda. O espessura é de 0,5cm. 

Confesso que fiquei muito feliz com esta nova pesquisa, que tem como objetivo ser usada primeiramente em pacientes com diabetes tipo 1 estável, inclusive de longa duração.

Caso este estudo dê certo, ele funcionará como um pâncreas artificial, produzindo insulina, glucagon e controlando a glicose como nosso pâncreas naturalmente faz. Isto evitaria as picadas de insulina e o "sobe e desce" das glicemias.

Vamos ficar atentos e vamos em frente!





domingo, 10 de maio de 2015

Programa "Como Será?" de Sandra Annenberg fala sobre o transplante de células-tronco para diabetes.

Neste sábado dia 09 de maio de 2015 o progama " Como Será? " de Sandra Annenberg abordou o tema DIABETES.

Como é um programa que tenta mostrar novas tendências e novos caminhos para nossa sociedade em diversos aspectos, eles vieram a Ribeirão Preto conhecer o Hospital das Clínicas da USP e mais de nossas pesquisas com células-tronco para diabetes.

Vale destacar que as pesquisas com células-tronco para diabetes desenvolvidas pela Equipe de Transplante de Células-tronco do HC de Ribeirão Preto são pioneiras mundialmente e são realizadas desde 2003.

Ainda estamos recrutando pacientes, sendo que os critérios iniciais para ser voluntário são:
- Idade entre 18 e 35 anos
- Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas

Para assistir à excelente matéria feita pela jornalista Mariane Lalerno, clique no link abaixo:

http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2015/05/pesquisadores-da-usp-testam-novo-tratamento-para-cura-da-diabetes.html




domingo, 12 de abril de 2015

10 anos de transplante de Células-tronco para diabetes tipo 1 - Jornal do SBT

No sábado dia 11 de abril de 2015 o Jornal do SBT fez uma excelente reportagem mostrando o trabalho feito por nossa equipe de transplante de células-tronco do Hospital das Clínicas da USP - Ribeirão Preto.
Nesta matéria é mostrado como é feito o transplante, os riscos e os benefícios.
Três de nossos pacientes transplantados foram entrevistados e mostraram como é o dia-a-dia deles.
Apesar dos resultados ultra-animadores, vale ressaltar que trata-se de uma  pesquisa e os resultados a longo prazo são incertos.

Nesta pesquisa temos inúmeros critérios para aceitar novos voluntários, sendo que os iniciais são:
- idade entre 18 e 35 anos
- diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas


Assista ao vídeo abaixo:

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Suco de noni, chá de pata de vaca, água de quiabo, etc ... Enfim, podemos curar o diabetes com terapia baseada em alimentos?

A cada semana no consultório respondo perguntas de meus pacientes sobre diferentes formas de "curar" ou tratar o diabetes. São várias as histórias:

  • Suco de noni
  • Água de quiabo
  • Chá de pata de vaca
  • Chá de insulina
  • etc


A natureza nos dá a grande maioria das substâncias que são usadas pela indústria farmacêutica. Um belo  exemplo disso é da planta chamada dedaleira. Esta planta contém uma substância que ajuda o coração a bater mais forte. Esta substância chamada Digitálico foi purificada, concentrada e colocada em cápsulas. A diferença das cápsulas e a planta é que na planta a substância está presente apenas em quantidades muito reduzidas. Daí a necessidade de concentrar esta quantidade pura em cápsulas. Caso contrário teríamos de ingerir mais de 30 litors de chá de dedaleira todos os dias para ter efeito parecido.  

No Brasil, por motivos diversos, muitas pessoas não têm acesso regular à saúde de qualidade. Daí acabam recorrendo a medidas alternativas de saúde. Os chás e as garrafadas são um bom exemplo disso. 

Eu até acredito que muitas destas terapias ditas "alternativas" ajudam a tratar o diabetes e outras doenças. Ainda mais porque quando fazemos qualquer tratamento intuitivamente tendemos a colaborar mais com alimentação saudável e exercícios regulares.

Para se lançar um medicamento para tratamento do diabetes estima-se ser necessário o investimento de cerca de 1 bilhão de dólares. Este gasto é para testar o seu efeito em milhares de voluntários  e por longo tempo - antes mesmo de ser lançado no mercado. Vale destacar que apesar do alto investimento a grande maioria dos medicamentos estudados são rejeitados.

Por isso que nosso grupo de pesquisa da USP-Ribeirão Preto estuda células-tronco em humanos há mais de 10 anos e ainda não temos certeza se é seguro e totalmente eficaz para todas as pessoas com diabetes.

Infelizmente tenho tido notícias de inúmeras pessoas que param seu tratamento de diabetes com comprimidos ou com insulina e passam a usar chás e ervas. Não raramente estas pessoas passam mal e acabam tendo de retomar o tratamento convencional. Já vi casos até de óbito...

Não sou pessimista nem cético, mas apenas penso que para se provar que uma dada planta ou substância (ou mesmo remédio) seja útil para o tratamento de qualquer doença é necessário ser testada em milhares de pessoas por muito tempo... Só a palavra do seu vizinho ou parente não é suficiente, por mais que seja bem intencionado!!

Por isso, evite usar qualquer tipo de substância e nunca suspenda um tratamento proposto sem antes discutir com seu médico. 

Vamos em frente!!!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Aprovado mais um medicamento injetável, semanal, para diabetes tipo 2 nos Estados Unidos: o DULAGLUTIDE.

Acaba de ser aprovado pelo americano FDA o mais novo medicamento que pode ser utilizado no tratamento do diabetes tipo 2: o dulaglutide (nome comercial TRULICITY)

O TRULICITY é considerado "primo"  VICTOZA e do remédio há mais tempo no mercado chamado BYETTA. A substância contida nele é o Dulaglutide. Dulaglutide  é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.

Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja, e é contrário à ação da insulina.

Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro induzindo a uma redução da fome. O GLP-1 também atua no estômago fazendo com ele fique mais lento para se esvaziar quando nos alimentamos. Com isso, o paciente refere que quando come pequenas quantidade de alimentos já sente o estômago mais cheio, não tolerando portanto ingerir grandes quantidades de comida. 

Por isso, esta classe tem como um dos efeitos paralelos atraentes promover redução de peso. Mas é bom deixar claro: NÃO SÃO REMÉDIOS PARA EMAGRECER, E SIM PARA TRATAR DIABETES TIPO 2. ELES SÓ SÃO  INDICADOS PARA PACIENTES COM DIABETES TIPO 2 E NÃO SE RECOMENDA O SEU USO PARA OBESOS NÃO-DIABÉTICOS. 

É bom deixar claro que apesar de ser injetável por via subcutânea, NÃO É INSULINA. Sua aplicçãõ deverá ser semanal

É possível que tenhamos mais esta opção disponível no mercado brasileiro em alguns meses. Porém, para isto, deveremos aguardar aprovação de nosso departamento regulamentador, a ANVISA. 

Como se trata de um novo medicamento devemos ficar atentos para efeitos adversos inadvertidos e seu uso deve sempre ser após indicação médica. 





Leia mais sobre VICTOZA em:

Leia mais sobre o diabetes tipo 2 em:


sábado, 13 de setembro de 2014

É POSSÍVEL PRODUZIR UM PÂNCREAS INTEIRO A PARTIR DE UMA CÉLULA-TRONCO?

        Estamos vivendo e sendo testemunhas da era da terapia celular. Em paralelo com toda a seriedade  e metodologia científica, todos estamos com muita fé nos resultados.

            As células-tronco possuem 2 características básicas que a definem:
·             Auto-renovação;
·             Capacidade de “transformar” células mais maduras e especializadas do que a célula de origem.

            Historicamente, quando se fala de células-tronco a maioria do público leigo se lembra das células-tronco embrionárias. Estas células são encontradas no embrião e são capazes de se “transformar” em praticamente qualquer tipo de célula adulta de nosso corpo e por isso são chamadas de pluripotentes.

            Par que isto aconteça em laboratório, basta utilizarmos substâncias certas no momento certo que elas se “transformam” nas outras células de interesse.

       Para usarmos terapeuticamente as células-tronco embrionárias é necessário que elas sejam primeiramente transformadas nas células que queremos, já “transformadas”.

    Um dos grandes desafios é que quando utilizamos células-tronco embrionárias elas necessariamente vêm de outro ser vivo e por isso possuem outro DNA.  Isto provocaria o que chamamos de rejeição.

            Uma enorme evolução ocorreu nos últimos anos e foi motivo de Prêmio Nobel de Medicina. Pesquisadores conseguiram desenvolver as “células iPS” , ou seja, células pluripotentes induzidas a partir de células adultas.

Mas como esta “iPS” é produzida? A partir de uma célula adulta , por meio de técnicas complexas, cientistas conseguem fazê-la se transformar numa célula-tronco embrionária. Isto mesmo! É como se a célula entrasse numa máquina do tempo e voltasse ao estado embrionário. Desta forma, com esta nova célula-tronco embrionária induzida a partir de uma célula adulta podemos gerar teoricamente todos os tipos de células que quisermos. 

A vantagem desta técnica é que poderíamos ter outra fonte alternativa de células-tronco embrionárias sem a necessidade de usarmos somente embriões das clínicas de fertilização. Outra vantagem é que se poderia utilizar uma célula da própria pessoa a ser tratada, evitando a rejeição que seria provocada se a célula-tronco tivesse outro DNA.


Pesquisas mais recentes do final de 2013 mostram que um aspecto teórico vem se tornando realidade: pesquisadores japoneses conseguiram desenvolver um fragmento de tecido de fígado exclusivamente com o uso das células “iPS”.




Portanto, em tese é possível se desenvolver um pâncreas a partir de uma célula adulta do próprio paciente. Sinceramente acredito que isto acontecerá em breve.

Em 12 de setembro de 2014 foi realizado o primeiro tratamento em humanos. Foi para o tratamento de degeneração macular de retina. Resultados clínicos ainda não foram divulgados. 


           Ponto-chave no caso de pacientes com diabetes tipo 1 é a autoimunidade. Todos sabemos que o pâncreas do paciente com diabetes tipo 1  é destruído pelo seu próprio sistema imunológico. Por isso, não adianta transplantarmos um novo pâncreas, mesmo que seja com o DNA dele mesmo,  se não manipularmos o sistema imunológico de maneira correta.

            O mesmo se aplica ao diabetes tipo 2. O pâncreas diminui a secreção de insulina muitas vezes como consequência da obesidade abdominal. Por isso, não adianta transplantarmos um pâncreas novo se o paciente permanece obeso e com péssimos hábitos de vida.

         O desafio é grande!  Certamente estamos atentos anovas descobertas e também produzindo nossas próprias pesquisas no Brasil em busca de melhores dias para os pacientes com diabetes.

            Vamos em frente! 







sexta-feira, 27 de junho de 2014

Aprovado nos Estados Unidos um dos medicamentos mais aguardados para o tratamento do diabetes: INSULINA INALÁVEL

Um dos maiores marcos da Medicina moderna foi o desenvolvimento da insulina pelos pesquisadores canadenses Banting, Best, MacLeod e equipe. Foram condecorados com o Prêmio Nobel de Medicina e certamente isto mudou a vida dos pacientes diabéticos desde então.

A insulinoterapia é a base do tratamento do diabetes tipo 1 e também pode ser necessária para os pacientes com diabetes tipo 2.

Entretanto, quase 100 anos após o desenvolvimento da insulina,  um dos maiores mitos  é a sua aplicação subcutânea. A história do tratamento do diabetes mostra imagens de seringas enormes, de vidro, reaproveitáveis e de aplicação realmente dolorosa.

Atualmente as seringas são produzidas com agulhas menores e mais finas e as canetas de aplicação promovem uma experiência ainda mais confortável na aplicação subcutânea das insulinas.
Muitos pacientes porém são ainda muito resistentes e muitos têm real pavor às injeções diárias.

Entre 2006 a 2007 foi lançada a primeira insulina inalada chamada EXUBERA. Por questões comerciais e também por questões de segurança ela foi retirada do mercado em cerca de 1 ano após seu lançamento.
Insulina inalada Exubera, primeira insulina
inalada lançada - esteve no mercado
de 2006 a 2007
Em 27 de junho de 2014 o rigoroso órgão americano que avalia segurança e eficácia de medicamentos, o FDA, aprovou uma nova versão da insulina inalada com nome comercial de AFREZZA, produzida por uma empresa chamada MannKind. O gasto com pesquisa foi de 900 milhões de dólares.

Insulina inalada AFREZZA lançada nos Estados Unidos
em junho de 2014
AFREZZA é uma insulina humana em pó de ação ultra-rápida. Em tese ela seria equivalente às insulinas de ação ultra-rápidas existentes no mercado como a Humalog, Apidra ou Novorapid só que administrada via inalatória.

Sua ação se inicia após 15 minutos da inalação do pó e tem pico de ação após cerca de 50 minutos. Sua ação termina completamente após cerca de 2,5 horas. Por isso, ela deve ser administrada como uma insulina prandial, ou seja, a ser usada quando da alimentação para reduzir a glicemia pós-prandial.  O correto é inalá-la imediatamente antes das refeições.

Como acaba de ser aprovada no mercado americano e ainda não foi sequer aprovada no Brasil, a segurança a longo prazo é incerta na prática clínica diária. Nos estudos clínicos pré-lançamento mostrou-se segura e bem tolerada. Os efeitos colaterais mais notificados pelos usuários foram tosse (25%), irritação a garganta (5,5%)  e dor de cabeça (4,7%).

Por questões de segurança seu uso é somente indicado para maiores de 18 anos. Os estudos em crianças estão sendo conduzidos e esperamos sua liberação para crianças nos próximos anos. É ainda contra-indicada em pacientes doenças pulmonares crônicas como enfizema, asma e bronquite. Obviamente não  deve ser usada por pessoas fumantes. 

Nos estudos prévios ao lançamento, usuários de AFREZZA tiveram discreta redução da função pulmonar. Por isso, exames como espitometria devem ser feitos antes do início do uso, após 6 meses e em segura repetidos anualmente para motorizar eventuais os efeitos adversos pulmonares. Ainda não se sabe se este medicamento é capaz de provocar câncer de pulmão e estudos de segurança estão em andamento.

Infelizmente a AFREZZA não pode ser considerada a cura do diabetes, pois medidas como dieta, exercícios e medição da glicose precisam ser feitos. Mas sem dúvida trata-se de um grande avanço para uma melhor qualidade de vida para os pacientes diabéticos.

Para saber mais informações sobre a AFREZZA basta acessar o site da empresa MannKind no site http://www.afrezza.com .

Evite a automedicação. Consulte seu médico.



Leia também

A história da insulina
http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2012/05/licoes-sobre-o-descobrimento-da.html .

Quais os critérios para participar das pesquisas com células-tronco em diabetes tipo 1?
http://www.carloseduardocouri.blogspot.com.br/2013/03/por-que-o-transplante-de-celulas-tornco.html


domingo, 27 de abril de 2014

Por que meu pâncreas não produz insulina?

Freqüentemente no consultório recebo pacientes com diabetes tipo 1 de longa duração. O fato interessante é que a grande maioria dos pacientes não sabe ao certo como o diabetes se desenvolve, mesmo sendo portadores  há muitos anos.   
Para começar a explicar devemos relembrar do sistema imunológico. Este sistema imunológico é responsável pelas defesas naturais de nosso organismo contra vírus, bactérias, vermes,  etc. Com ele nós entramos em contato com inúmeros agentes infecciosos a cada minuto sem desenvolver qualquer tipo de sintoma.  Apenas para dar um exemplo, o sistema imunológico funciona como se fosse um policial que protege nosso organismo.
No caso do diabetes tipo 1, o sistema imunológico ficou louco. É isto mesmo! Em vez de ele somente proteger o nosso organismo ele resolve também atacar as células produtoras de insulina localizadas no pâncreas chamadas células β. Este fato é denominado autoimunidade. Com isto, as células β são destruídas e não produz a insulina tão necessária para a nossa sobrevivência.
Ninguém sabe ao certo o motivo pelo qual o sistema imunológico resolve atacar o próprio organismo, as células β.  O que se sabe é que a culpa é 30% da genética e 70% dos fatores ambientais.
Atualmente a teoria mais aceita para o desenvolvimento do diabetes tipo 1 é a seguinte:  
Há tempos atrás (meses ou anos) o paciente entra em contato comum determinado vírus que tem semelhanças com as células β produtoras de insulina. O sistema imunológico então começa a destruir os vírus porém, devido à grande semelhança entre o vírus e as células β, o sistema imunológico começa equivocadamente a agredir as células β.
Fato interessante é que conforme frisado acima este processo de auto-destruição se inicia meses a anos antes da eclosão dos sintomas.  A massa de células β é gradualmente destruída até que o percentual destruído é tão grande que a capacidade secretora de insulina se reduz muito e se iniciam os sintomas como beber muita água, urinar muito e perder peso.
O que não sabemos até hoje é quais são os genes exatamente relacionados ao diabetes tipo 1  e por que alguns pacientes desenvolvem o diabetes e por que outros pacientes não desenvolvem.  Não sabemos também quais vírus ou outros agentes que desencadeiam este processo.

Leia também:

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Diabetes e Tuberculose: uma epidemia silenciosa e pouco reconhecida!


Há cerca de 2 meses atendi um paciente diabético em meu consultório que se queixava de tosse seca e indisposição leve. Ele já era meu paciente há vários anos e disse que ele que poderia se tratar de uma gripe que deveríamos observar. Ele manteve apetite normal, conseguia fazer exercícios e trabalhar normalmente. Entretanto, com o passar das semanas os sintomas continuavam. Devido à persistência dos sintomas aprofundei os exames e para minha surpresa dei o diagnóstico de tuberculose para este paciente. Havia um bom tempo que não atendia um paciente com tuberculose resolvi rever os dados científicos da associação entre tuberculose e diabetes.

Dados epidemiológicos recentes apontam para a associação de 2 epidemias silenciosas:
a epidemia de DIABETES e a de TUBERCULOSE.

Esta associação é ainda mais preocupante quando detectamos que a  maioria dos casos de tuberculose do mundo se encontra em países em desenvolvimento (países que concentram 80% dos casos de diabetes em adultos no mundo).

Considerada como uma doença "ruim"e letal no início do século XX, muito estigma sempre existiu sobre o portador da tuberculose. Felizmente com a melhora das condições sanitárias e com o desenvolvimento dos antibióticos a tuberculose passou a ser uma doença controlada e curável.

Um fato novo porém fez elevar os números de casos de tuberculose na década de 80 e 90: a AIDS. Como os portadores da AIDS possuem deficiência imunológica eles ficam mais suscetíveis à tuberculose e com isso começou a haver uma nova epidemia mundial. Este epidemia foi novamente controlada com melhor tratamento e prevenção da AIDS mundo afora.

Recentemente epidemiologistas detectaram uma nova associação: a da tuberculose e diabetes.

Não temos dados atuais brasileiros e por isso citarei alguns dados internacionais. Na Índia, em 2010 estima-se que cerca de 12,6% dos casos de Tuberculose ocorreram em pessoas diabéticas e isto representa cerca de 250.000 novos casos somente naquele ano. A tendência é que em 2030  erva de 16% dos diabéticos indianos adquiram tuberculose.

Dados semelhantes são vistos na China e em países africanos e todos com tendência de crescimento até 2030.

Para entender melhor esta associação entre diabetes tuberculose, especialistas se reuniram em Londres em Abril de 2013 para criar ume tudo chamado TANDEM. Por meio deste estudos poderemos saber qual a melhor maneira de fazermos a pesquisa de tuberculose nas pessoas com diabetes e também rastrear diabetes nas pessoas com tuberculose.
Apesar de sabermos que a pessoa com diabetes ter maior predisposição a infecções, o estudo TANDEM tentará elucidar os mecanismos exatos que levam a união nefasta destas 2 doenças.

Vamos aguardar os resultados nos próximos anos.

Enquanto isto, devemos ficar atentos com sintomas de tosse persistente por mais de 3 semanas associada a sintomas como perda do apetite, febre, desânimo e fraqueza.

E não custa nada relembrar: ter uma alimentação saudável e uma atividade física regular, associados a um adequado controle glicêmico ajudam a prevenir inúmeras doenças.


Leia mais sobre vacinação contra pneumonia e contra gripe  no link abaixo.


http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2011/10/pacientes-diabeticos-devem-receber.html



Faltam remédios para tuberculose no SUS em julho de 2014.
http://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/2014/07/03/15102091-remedios-contra-tuberculose-estao-em-falta.html











sexta-feira, 7 de março de 2014

Cuidado: você pode ter síndrome da apnéia do sono!


Parece lugar comum, mas passamos 1/3 de nossas vida dormindo. O sono é fundamental para manutenção de nossa saúde física e mental (quem tem insônia sabe bem disso!).

Durante o sono produzimos hormônio do crescimento, sedimentamos a memória recente, recuparemo-nos de um dia cansativo de trabalho... Em suma, o sono é fundamental.

Porém, quantos de nós já não disse a frase: "Dormi tanto mas parece que não dormi nada!" ou "Parece que acordei atropelado por um caminhão!"  ou  "Não posso ver uma cadeira durante o dia que já tenho vontade de tirar uma sonequinha!  ou  "Minha esposa sempre reclama de meus roncos e quer até trocar de quarto!"

Se você já vivenciou algumas das situações acima você pode ter SÍNDROME DA APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO.

Esta síndrome é caracterizada por períodos em que o paciente fica segundos e até mesmo minutos sem respirar durante seu sono. Casa vez que o paciente para de respirar ocorre aumento da pressão arterial, taquicardia, redução da oxigenação sanguínea e ocorre uma superficialização do sono. Tudo isto ocorre sem que o paciente tenha consciência e pode culminar em um infrator do miocárdio, derrame cerebral, pressão alta, etc.

Pasmem todos: a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia afirma que tenhamos cerca de 30% da população adulta com esta síndrome.

Caso você apresente algum dos sintomas abaixo, relate para seu médico e discuta com ele a necessidade de se realizar exames confirmatórios da SÍNDROME DA APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO:


  •  Sono não repousante
  •  Sonolência durante o dia;
  •  Déficit de memória;
  •  Perda de concentração e irritabilidade;
  •  Roncos;
  •  Sonolência frequente ao volante do automóvel;
  •  Sensação de afogamento durante o sono ou sonhos sobre afogamento.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Você realmente sabe comprar remédio?


                  Após consulta com seu médico de confiança, é muito comum sair do consultório com uma receita em mãos. No caso específico de doenças crônicas frequentemente os remédios serão usados praticamente a vida toda.
                   Na minha opinião os remédios genéricos são um avanço no nosso país, com preços mais justos, provendo a concorrência e, em tese, com processo de fabricação checados por normas rígidas do Governo. Eu nunca tive grandes problemas com genéricos. 

                  Alguns pontos devem ser levados em conta na compra de todos os medicamentos além da posologia:
- local de armazenamento;
- efeitos adversos;
- checarem com seu médico quais são os laboratórios mais confiáveis;
- local adequado de descarte (informação útil para insulinas, agulhas, etc)
- se deve ou não ficar ao abrigo de sol e calor;
- como pode ser transportado;
- como proceder em viagens;

              Como os remédios crônicos são usados por longos períodos, o preço dos mesmos pode impactar muito no orçamento doméstico. Por isso, seguem abaixo algumas dicas:

- nem sempre os remédios genéricos possuem os menores preços. Muitos medicamentos de marca (chamados similares) possuem preços inferiores (muitas vezes não se sabe por quê);

- existem alguns sites que fazem a comparação de preços da mesma substância, independente de ser genérica ou não. Um dos sites que eu uso é o www.consultaremedios.com.br. Minha sugestão é sempre checar os preços antes de ir à farmácia. Com isso seu poder de barganha aumenta. 

- quando um médico escreve na receita somente o nome da substância, o balconista pode apenas vender remédios genéricos. Por isso, é sempre bom o médico escrever o nome da substância e ao lado indicar pelo menos um nome de remédio similar de confiança. Digo isto porque muitas vezes o remédio genérico é mais caro e alguns vendedores não informam isto ao cliente. 

- caso o paciente descubra algum remédio similar mais barato e de boa qualidade, pode e deve pedir ao seu médico que especifique isto na receita. 

              Sempre me perguntam se eu acredito em genéricos e sempre digo que nunca tive grandes problemas. Também nunca tive problemas com remédios fornecidos na rede pública de Ribeirão Preto (cidade em que trabalho). Quando se tem dúvidas sobre eficácia de medicamentos, a melhor  maneira de checar isto é vendo se ele foi capaz de resolver o problema para o qual ele foi prescrito. 

             Para tratar o diabetes, um dos maiores exemplos de medicamento bom e de graça é a Metformina. Ela é jogador caminha 10 no tratamento do diabetes e ainda é gratuito no Brasil, sendo oferecida gratuitamente nos postos de saúde e na Farmácia Popular. Entretanto, ainda temos vários remédios que ainda não possuem nenhuma versão genérica ou similar e por isso os preços são mais elevados e não temos como discutir. Por isso, sempre devemos perguntar ao vendedor da farmácia se o próprio laboratório disponibiliza algum programa de desconto. Muitos deles dão descontos de até 50% ou mais. 
                   
                   Espalhe estas informações aos seus amigos e familiares!
                     


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Lista de famosos que além de tudo ainda tinham diabetes

        Todos os dias me deparo com pacientes que me perguntam: "Porque logo eu fui escolhido por Deus para ser diabético? ".
Uma coisa que aprendi é que o diabetes é uma doença democrática. Não escolhe raça, idade, cor, classe social. Para o diabetes não se importa que o paciente seja trabalhador, honesto ou bom caráter. Se fosse assim milionários, chefes de estado, artistas e pessoas influentes nunca teria esta doença. 

        Veja abaixo uma lista resumida de pessoas importantes e influentes que têm diabetes como uma de suas várias características. E não foi pelo diabetes que estas pessoas deixaram de ser super-importantes. 


domingo, 24 de novembro de 2013

Tom Hanks, o Menino Joaquim e a democracia do diabetes.




Todos conhecemos os inúmeros filmes e o dom de atuar de Tom Hanks. Poderia citar "O Contador de Histórias" (Forrest Gump) , "O Código Da Vinci",  "O Resgate de Soldado Ryan", "O Terminal",  "Filadélfia", etc, etc. 
Além do reconhecimento internacional, imaginem o reconhecimento financeiro deste homem. Imaginem a sua conta bancária. 
Pois é! Imaginou? 
Imagine que este mesmo homem disse em rede nacional americana, num dos programas de maior audiência,  que é é diabético tipo 2. Isto mesmo. Além de falar de seu trabalho, aproveitou e disse que tinha diabetes. 
Será que temos idéia de quanto recurso ele tem para tratar sua doença? De nada isto adianta agora. O que ele terá de fazer é o mesmo que muitos terão: alimentação saudável, exercícios, medicamentos, algumas adaptações...
Não é pelo fato de ele ter diabetes que todos agora apenas se lembrarão dele por causa disto. Tenho certeza que todos continuaremos vendo seus filmes do mesmo jeito, vibrando, gostando, não gostando... mas o fato é que o diabetes é apenas mais uma característica dentre várias que Tom Hank possui. 
E o mesmo se aplica ao caso do menino Joaquim. Ele infelizmente foi vítima de violência. Não sabemos de quem é a culpa, mas ele é vítima do mesmo jeito. Independente de ele ser diabético, é mais um número da lista de violências no Brasil. Claro que o diabetes o tornou mais vulnerável, mas não sabemos se isto mudaria muito o desfecho do problema. Ninguém saberá dizer. 
Por isso é que o diabetes é uma doença democrática (felizmente ou infelizmente). Acomete milionários, crianças, pobres, idosos, famílias desestruturadas, famílias equilibradas, etc. 
Nem Tom Hanks, nem o Menino Joaquim estão à salvo de qualquer intempérie. Nenhum de nós está. 

Somos todos iguais. O diabetes é apenas mais uma característica de cada indivíduo.