domingo, 6 de maio de 2012

Lições sobre o descobrimento da Insulina e do Hospital Geral de Toronto - Canadá

Na semana passada, em viagem de trabalho, tive a honra e o prazer de conhecer o Hospital Geral de Toronto - Canadá. Este Hospital é simplesmente o Local em que o cirurgião Banting e o estudante Best desenvolveram as pesquisas com animais que culminaram na descoberta (ou isolamento) da molécula de Insulina em 1922 e a sua primeira aplicação em um ser humano.

Vale à pena lembrar que até aquele momento, pacientes diabéticos tipo 1 tinham sobrevida de poucos meses e, quando muito, alguns anos.
O cirurgião Banting morava em uma cidadezinha no Canadá chamada London e não era ligado ao meio acadêmico. Subitamente teve a idéia de submeter animais a um procedimento cirúrgico que seria capaz de destruir quase todo o pâncreas mas deixaria sobrar apenas as partes responsáveis pela produção de insulina (as ilhotas).

Banting pediu ajuda ao professor de Fisiologia da Universidade de Toronto chamado McLeod que achou a idéia estranha mas cedeu seu laboratório precário e alguns cães para os experimentos. Recomendou também um aluno chamado Best para lhe ajudar nos experimentos.
Felizmente em cerca de 1,5 ano o hormônio protéico chamado insulina foi isolado e aplicado em animais e pela primeira vez em uma cadelinha chamada Marjorie e depois de um período em um menininho chamado Leonard Thompson.

Logo em 1923 receberam o Prêmio Nobel de Medicina.

Na ocasião a imprensa noticiou a descoberta como a cura do diabetes. Mal sabiam que não era a cura , mas im um grande passo para o controle e a prevenção das complicações desta doença.

Chamou minha atenção a memória do povo canadense. Nem percebi, mas quando um amigo me alertou fiquei estarrecido de ver que na nota de 100 dólares canadenses (a nota de maior valor no país)  havia a imagem de um frasco de insulina. Talvez o motivo de eu ter ficado estarrecido foi o fato de ver que naquele país eles têm memória e ver que eles sabem valorizar seus grandes nomes, mesmo que tenham se passado 90 anos.

Fato interessante é que após o isolamento da molécula de insulina, o laboratório farmacêutico americano  Eli Lilly se juntou ao grupo canadense e começou a produção e distribuição me larga escala da insulina de origem animal pelo mundo, tornando esta descoberta local em um medicamento que salvaria vidas em todo o globo terrestre.

Obviamente que muita coisa evoluiu ao longo destes 90 anos.

Hoje nossos pacientes diabéticos dispõem de insulinas desenvolvidas por engenharia genética, agulhas finíssimas, canetas de aplicação de insulina, discretas e pequenas,  bombas de infusão contínua de insulina, aparelhos medidores de glicemia pequenos e rápidos e contagem de carboidratos para facilitar a dieta.

Felizmente o Brasil tomou um papel de destaque nesta história dando o ponta-pé inicial no uso de células-tronco na tentativa de melhorar ainda mais a qualidade de vida dos portadores de diabetes tipo 1.

Que esta curta história sirva de estímulo os diabéticos de hoje se cuidarem melhor. Que todos vejam que estamos vivendo num momento de grande explosão do conhecimento. Estamos na era das células-tronco e também na era de diversas outras pesquisas como a insulina inteligente (Smart Insulin), pâncreas artificial, medidores de glicemia com infra-vermelho, etc.

Encorajo a todos que se cuidem, que aceitem o diabetes e façam o tratamento adequadamente para poder ter a chance de experimentar e utilizar as diversas novidades que estão por chegar até nós em poucos anos (poucos anos mesmo). Vamos nos cuidar bem hoje para podermos desfrutar do que vem por aí.

Vejam abaixo algumas fotos e fatos interessantes que relatei no texto acima.

Boa semana!!


Manuscrito original do Dr Banting sobre como conseguir isolar a molécula de insulina

Dr Banting e o estudante Best com a cadela Marjorie, que recebeu a primeira injeção do extrato de pâncreas
 Nota de 100 dólares canadienses com o frasco de insulina



 Laboratório de fisiologia na Universidade de Toronto onde banting e Best trabalhartam



 Leonard Thompson, o primeiro a receber injeções de insulina. Foto antes e depois do uso do uso da insulina.



Prêmio Nobel de Medicina concedido a Banting e Mc Leod em 1923 (Best não foi condecorado, pasmem!)


Seringa de aplicação de insulina do ano de 1926. 









domingo, 8 de abril de 2012

A escola e o trabalho muitas vezes são um entrave para o tratamento do diabetes !


             Passamos boa parte de nossas vidas estudando e trabalhando. Como doença não tem hora vaga, os cuidados com a saúde devem permear nossas obrigações diárias. Felizmente, o diabético está apto a concluir suas etapas educacionais e a traçar infinitos planos de carreira como qualquer outra pessoa. O distúrbio em si não pode ser considerado um fator limitante para o desenvolvimento acadêmico ou profissional — salvo se estiver completamente descompensado. É por isso que pessoas com diabetes não devem ser tratadas com regalias ou poupadas de certos compromissos. Elas merecem ser cobradas da mesma forma que aquelas livres do problema, sejam médicas, advogadas, atletas, artistas...

            O crescimento no número de diabéticos, inclusive crianças, cobra das escolas e das empresas uma nova exigência: abordar a doença dentro de suas dependências. Para começo de conversa, ter diabetes não deveria ser visto como um critério para seleção de um aluno ou de um candidato para determinada vaga. Por falar nisso, sabemos que frequentemente pessoas omitem em entrevistas de emprego portar o distúrbio. Trata-se de um erro, uma vez que futuros descompassos nos níveis de glicose, como hipoglicemias ou hiperglicemias, podem ocorrer em ambiente de trabalho e ninguém vai saber do que se trata nem como agir se não for avisado.

            Aliás, essa devia ser uma regra básica: que os colegas de trabalho ou, no caso do colégio e da universidade, outros alunos, professores e orientadores pedagógicos saibam que o indivíduo é diabético, inclusive para se familiarizar com procedimentos corriqueiros exigidos pelo tratamento, como medições de glicose e aplicações de insulina. Isso evita situações constrangedoras e ainda habilita as pessoas a prestarem ajuda, se preciso.

            A presença de funcionários ou de alunos diabéticos reforça ainda mais a necessidade de se discutir o problema — inclusive para que toda essa gente espalhe o conhecimento adquirido à família e aos amigos. Por que não fazer uma semana do diabete na escola? Por que não promover palestras e workshops, convidando médicos e pacientes a falar do assunto? Esses são exemplos de estratégias importantes para divulgar informação, uma ferramenta essencial à prevenção de novos casos da doença, ao diagnóstico precoce e ao estímulo de um controle adequado. São oportunidades de derrubar mitos, tirar dúvidas e compartilhar experiências. Momentos propícios para disseminar o que é um estilo de vida saudável.

            A atenção e os cuidados com o diabete não deveriam entrar apenas na agenda de atividades da escola. Precisam fazer parte do seu dia a dia. O ideal é que os  funcionários do colégio sejam treinados para reconhecer possíveis sinais e manifestações do problema na criançada. Sabe aquela história do garoto que pede toda hora para ir ao banheiro? Nem sempre é travessura, vontade de matar aula. Será que o professor sabe que urinar em excesso é sintoma de diabete? A figura do mestre tem extrema importância na detecção do distúrbio na infância. Além disso, todo professor deveria estar apto a lidar com alunos diabéticos, inclusive para estimular, se necessário, o monitoramento da glicose ou as injeções de insulina, além de explicar a situação aos coleguinhas. Esse contato mais próximo melhora inclusive a adesão ao tratamento.

            Toda escola conta com educação física na grade de matérias, certo? Isso é ótimo, mas por que nem sempre há uma disciplina de orientação alimentar? Defendo que também é papel do colégio instruir o aluno a se alimentar direito. Seria uma grande arma contra o surto de obesidade que acomete cada vez mais crianças, tornando-as mais expostas ao diabetes tipo 2. Infelizmente, o que ainda vemos são cantinas oferecendo salgadinhos e guloseimas, redutos de gordura, sal e açúcar. A mudança precisa começar com o conteúdo do que é ofertado aos alunos na hora do recreio — e inclusive no momento de montar a lancheira, que deve vir recheada de frutas, pão integral, iogurtes... A luta contra o diabetes — e em prol do controle do distúrbio —depende de educação e divulgação de conhecimento. Existe melhor lugar que a escola para incentivar essa tarefa? 

domingo, 1 de abril de 2012

Disney vai lançar livro com personagem diabética tipo 1

Sempre lutamos pela socialização da informação relacionada ao diabetes. Especialmente entre as crianças exitem ainda mais mitos e informações  equivocadas e ainda mais preconceito.

Não é à toa que existem diversos sites nacionais e internacionais, games e livros e etc visando trazer informação para as crianças e seus pais. Na minha opinião o melhor tratamento para o diabetes começa com informação. Muitas vezes os equívocos começam com os próprios pais das crianças diabéticas. 

As crianças diabéticas podem tudo que as crianças ditas "normais" podem fazer. 

Vale lembrar que:
- Não é normal comer doces todo o dia;
- Não é normal ficar horas a fio sentado na internet;
- Não é normal ficar horas a fio assintindo TV;
- Não é normal comer fastfood, gorduras e frituras com tanta frequência.

Neste sentido é que parabenizo a Disney por planejar o lançamento de um livro que inclui os personagens clássicos da Disney e incluir uma nova personagem, uma macaquinha chamada Coco (pronuncia-se Côco). Achei fantástico a Disney fazer isto pois inúmeras crianças e adultos lêem suas histórias e isto pode ajudar ainda mais a anular diversos mitos do diabetes. Ainda mais porque o diabetes é uma doença muito comum. 

Quando algum médico ou associação de diabetes promove ou veicula algum material sobre diabetes, muitos podem pensar que é chato e feio. Com a chancela da Disney, acho que esta barreira pode ser quebrada. 

Ainda não há data para lançamento do livro mas estamos no aguardo. 

Espero que outros grandes grupos de comunicação tenham a mesma idéia como TV, teatro, games, etc. Ter personagens diabéticos é tão comum quanto quaisquer outros. 

Enquanto o livro não chega, sugiro a todos que acessem alguns sites excelentes para diabéticos adultos e crianças:

www.diabetes.org.br
www.adj.org.br
www.tiojuliao.diabetes.org.br
www.diabetesnasescolas.org.br


Coco - Maquiquinha Diabética tipo 1 da Disney

sexta-feira, 23 de março de 2012

Júlio Voltarelli

Infelizmente, dia 21 de março, tivemos uma perda irreparável para a Ciência Nacional: faleceu o Prof. Júlio Voltarelli aos 63 anos.





Hematologista e Imunologista de formação, com simplesmente 3 pós-doutorados nos Estados Unidos, foi ele que em 2003 teve a grande ideia de iniciar no Hospital das Clínicas da USP – Ribeirão Preto, o primeiro estudo em humanos no mundo avaliando o efeito do Transplante Autólogo de Células-tronco hematopoéticas para o tratamento do diabetes tipo 1. Na realidade a formação do grupo e a sua materialização se deu após sua conversas com o importante imunologista americano Dr. Richard Burt que havia pensado no projeto mas não o colocara em prática. Lembro-me muito bem como se fosse hoje quando nos reunimos pela primeira vez para discutirmos sobre as bases do “reset imunológico” envolvido no transplante  e sua vibração com o tema. Para um jovem pesquisador como eu que estava iniciando suas andanças eu diria que fui um privilegiado por tê-lo ao meu lado.
Impressionante sua capacidade de liderança e de aglutinação de uma equipe formada por mais de 50 profissionais. Em momento algum se colocava como superior e argumentava e aceitava contra-argumentações de terceiros com a maior desenvoltura.
Quando iniciamos o projeto em Diabetes Tipo 1 o grupo de transplante já tinha expertise no tema de imunomodulação com outras doenças como esclerose múltipla, lupus, artrite reumatóide, esclerodermia, etc.
Graças e ele e a todos da equipe fui o escolhido para ter a chance de suspender insulina de vários pacientes diabéticos tipo 1 envolvidos na pesquisa e a cada paciente que nós tínhamos êxito ele queria cada vez mais e mais resultados. Este trabalho nos rendeu além de inúmeras histórias, 2 publicações originais no concorridíssimo JAMA com direito a editoriais nas publicações. Ainda neste protocolo testamos o efeito da medicamentos inibidores da enzima DPP-4 nos pacientes que retomaram o uso de insulina e conseguimos com sucesso ineditamente suspender insulina novamente em mais 3 pacientes.
Devido à excelente repercussão e à seriedade dos nossos estudos, meios de comunicação como New York Times, Times, Le Monde, Reuters deram destaque ao nosso estudo liderado por ele.
Não contente com os resultados deste primeiro protocolo, em 2008 deu início à pesquisa com células-tronco mesenquimais também para diabetes tipo 1. Neste protocolo usamos células-tronco adultas porém sem necessidade de quimioterapia.
Em 2011 conseguimos aprovação do protocolo de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas pelo FDA aglutinando centros reconhecidos em Chicago (Northwestn University com o Dr Richard Burt) e Paris (Hospital Sr Louis com a Dra Dominique Farge). Vale destacar que nós no Brasil, na maioria das vezes,  replicamos estudos desenhados no exterior e desta vez nós é que tivemos este papel mais nobre.
Não contente, numa de nossas últimas reuniões deixou no gatilho uma importante pesquisa em humanos sobre com Transplante de Células mesenquimais para o diabetes tipo 2. Porém desta vez participando também sua esposa e também nossa amiga endocrinologista a Prof Ângela Leal da Universidade Federal de São Carlos que já vem realizando experimentos em modelos animais de diabetes tipo 2.
Já não bastasse tudo isto, tratava-se ainda de um amigo leal, grande mestre, grande líder.
Certamente sua ausência será notada nos diversos seguimentos da medicina nacional, especialmente a Diabetologia, mas todos teremos o dever de manter aceso seu nome e seu legado de agora em diante.
Serei eternamente grato por tudo e honrarei sempre seu nome.
Descanse em paz!
Do seu amigo, colega, afilhado e aprendiz,
Carlos Eduardo Barra Couri

terça-feira, 13 de março de 2012

Diabetes foi tema de Entrevista em Programa em Ribeirão Preto

Em março, O Programa Pessoas com Letícia Gera da TV THATHI de Ribeirão Preto fez uma abordagem muito prática e objetiva sobre diabetes numa bela entrevista. 




                                                                               Clique aqui para assisitr ao vídeo

quinta-feira, 8 de março de 2012

Você sabe avaliar se o seu aparelho de glicemia está com o código adequado para a fitinha que você está usando?

Todos os diabéticos conhecem bem esta rotina. Aplicar insulina e medir as glicemias várias vezes ao dia. O que muitos não sabem é que muitos aparelhos de glicemia possuem códigos que devem ser pareados com os códigos da fita.

Vejam esta reportagem muito elucidativa realizada pela filial da Rede Globo do interior de SP (EPTV).


Clique aqui e assista ao vídeo

terça-feira, 6 de março de 2012

Mulheres diabéticas podem engravidar?

Com o passar dos anos o tratamento do diabetes tanto tipo 1 quanto tipo 2 tem melhorado. Hoje em dia temos controlado melhor a glicemia dos pacientes, mas também os pacientes portadores têm apresentado melhor qualidade de vida.

Em face disso, mulheres adultas diabéticas em idade reprodutiva têm demonstrado vontade e desejo de ter filhos obviamente como toda mulher.

Muitos mitos envolvem a gravidez da mulher diabética. É fato que o diabetes pode trazer diversas complicações para mãe e para o feto, porém isto não é uma sentença definitiva e pode ser contornado.

Por isso, nos dias de hoje não se recomenda a nenhuma mulher engravidar sem antes saber seu estado geral de saúde. Imagine então a mulher diabética.

Quando uma paciente diabética passa a expressar o desejo de ser mãe, a primeira ação é procurar o seu endocrinologista e seu ginecologista e saber seu estado atual de saúde antes de tentar engravidar.

Por que esta avaliação inicial é tão importante? Muitas pacientes só descobrem determinadas doenças após o início da gravidez e muitas vezes o feto já foi comprometido e a gestante não pode receber o tratamento adequado devido ao fato do medicamento poder prejudicar o concepto.

Existem alguns problemas de saúde na mulher que contra-indicam a gestação e outros problemas que não contra-indicam. Por exemplo, gestantes com insuficiência renal ou retinopatia graves não são aconselhadas a engravidar em momento algum. Outro exemplo é a gestante que vem com mal controle glicêmico: nestas pacientes devemos adiar a gravidez e rediscutir apenas depois de atingido o bom controle.

Além disso, muitas mulheres diabéticas usam remédios contra-indicados durante a gravidez e que devem ser suspensos ou trocados antes da gravidez e o médico deve julgar se a suspensão do remédio ou a troca pode  piorar ou não o estado geral da peciente.

Somente após checados todos estes detalhes é que o casal deve parar de usar os métodos contraceptivos e tentar a gravidez. O diabetes não nos impede de fazer nada, porém, as devidas adaptações devem ser feitas para não trazer sustos para a mãe e para o feto.

segunda-feira, 5 de março de 2012

"O Futuro do Diabete" foi lançado em 30 de julho de 2011

No dia 30 de julho aconteceu o lançamento do nosso livro  "O Futuro do Diabete". Fomos premiados com uma linda tarde de inverno, e para minha satisfação a Livraria Para Ler Megastore do  Ribeirão Shopping estava simplesmente lotada.

Sabemos que temas lúdicos e romances têm um apelo obviamente superior, mas gostaria de relalar que me senti bastante realizado de ver que cerca de 200 pessoas sairam para compartilhar conosco este lançamento. O que eu mais queria aconteceu: eu fui instrumento para se discutir, conversar, enfim, bater papo sobre o Diabetes.
Todos sabemos e documentamos a "epidemia" de diabetes e não há dúvida que discutir sobre um assunto é a melhor coisa para iniciar nossas ações. Quanto mais a mídia de massa falar sobre diabetes, melhor.

Estavam presentes muitos de meus queridos pacientes de várias partes do Brasil como Joara (Mato Grosso), Florianópolis, São Paulo, Campo Grande |(Mato Grosso do Sul) e inúmeros de Ribeirão Preto e cidades da região. Inúmeros colegas médicos renomados se fizeram presentes, assim como representantes e amigos da indústria farmacêutica, também de suma importância no tratamento do diabetes. Havia desde políticos  e industriais até simples trabalhadores rurais.

Fiquei emocionado com a paciência de várias pessoas, incluisive idosos e crianças, que permaneceram firmes na fila que se estendia até a porta da livraria. O tempo total foi de 4 horas e apesar de cansativo foi gratificante.

Sei que no meu consultório consigo conversar com um paciente de cada vez. Espero, entretanto, que com este livro eu consiga conversar com milhares de indivíduos ao mesmo tempo em prol de uma mehor qualidade de vida.

Espero que "O Futuro do Diabete" seja mais uma ferramenta para ajudar a tornar o diabetes nosso aliado e não nosso inimigo. Aceitar o diabetes é significa encarar de frente o problema e procurar estratégias para ter uma vida melhor, independente do diabetes. 

Com a ampla distribuição da Editora Abril, este livro estará disponível em todo o país ou pelo site http://www.iba.com.br

Dr Carlos Eduardo Couri - O Futuro do Diabete 1

Dr Carlos Eduardo Barra Couri - O Futuro do Diabete 2

Dr Carlos Eduardo Barra Couri - O Futuro do Diabete 3

Dr Carlos Eduardo Barra Couri - O Futuro do Diabete 3

Dr Carlos Eduardo Barra Couri - O Futuro do Diabete 4

Dr Carlos Eduardo Barra Couri - O Futuro do Diabete 5

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O lixeiro tem diabetes?




Muito temos discutido de novidades no tratamento do diabetes. Vale lembrar que até 1922 pacientes diabéticos tipo 1 não viviam mas sim sobreviviam, pois simplesmente não havia sido ainda desenvolvido este bendito remédio chamado insulina.

Os pacientes diabéticos há mais tempo vão se lembrar das seringas de vidro com agulha grossa e que tinham de ser fervidos a cada nova aplicação.

Seringa de vidro utilizada na década de 20 (reutilizáveis)

Mais recentemente seringas de plástico porem com agulhas mais longas e grossas também (ainda disponíveis em vários serviços públicos de saúde).

Seringas de Plástico descartáveis

Felizmente hoje em dia temos canetas de diversos tipos e agulhas de tão pequenas como a de 4 mm recentemente lançada no mercado nacional. Sem nenhuma demagogia, as aplicações de insulina hoje são praticamente indolores. Muitas vezes alguns pacientes acham que é mais dolorida a picadinha no dedo para medir a glicemia do que a picadinha da aplicação de insulina. Obviamente que quando o paciente se auto-aplica a insulina a chance de doer é menor pois ele mesmo calibra a força da aplicação e leva menos susto e tem menos dor.

Glúteos (bumbum), braço, coxas e abdome são os locais apropriados para a aplicação da insulina e para não gerar deforminades e ferimentos deve-se fazer rodízio de aplicação frequentemente.

Mas o que o lixeiro tem de comum com o diabetes?

A resposta é bem simples: onde jogamos fora as seringas usadas, as agulhas, as tiras reativas de glicemia? 

Pois bem. A maioria das pessoas ainda joga estes resíduos no lixo comum. E se o lixeiro ou um animal ou mesmo uma criança inadvertidamente se cortar com estes materiais? E o meio ambiente?
E se o paciente diabético também tiver hepatite B, ou AIDS? Este material poderá contaminar outras pessoas.

Para evitar estes e vários outros problemas lembre-se de manter estes resíduos em locais adequados dentro de casa. Pode-se armazená-los dentro de garrafa plástica de refrigerante ou de uma lata de leite em pó ou numa lata de achocolatado vazias (sempre tampadas).


Seringas de insulina em garrafas PET


Quanto estiverem cheios, o paciente ou seus familiares devem levar este material ao posto de saúde mais próximo, ou no hospital, ou solicitar a presença de coleta de lixo hospitalar à prefeitura.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carnaval e diabetes: uma combinação perfeita!



O Carnaval é uma época especial do ano para muitas pessoas. Uns aproveitam para descansar, meditar... mas a maioria entra na folia e aproveita a festa.
Obviamente que diabéticos deitam e rolam tanto quanto quaisquer outras pessoas, quer sejam adultos, jovens ou crianças.
Conforme discutimos em posts anteriores, o paciente diabético deve ter uma vida normal, porém com alguns cuidados necessários.
Algumas dicas são importantes para o carnaval e podem ser utilizadas para outras épocas do ano:

1- Beba de 2 a 3 litros de líquidos ao longo do dia, preferivelmente água. Caso ingerir sucos, lembre-se de dilui-los em água e lembre-se de contabilizar as frutas na sua cota diária conforme orientação da nutricionista.

2- Não exagere no álcool. Cheque com seu médico se seu controle atual do diabetes permite a ingesta alcóolica. Nào ingerira mais do que 2 latas de cerveja ou 1 dose de destilado ou 2 taças de vinho. A hidratação é fundamental.

3- Antes de sair para a folia, alimente-se. Lembre-se de fazer alimentação leve a cada 3 horas. Na minha opinião a barrinha de cereal é uma ótima pedida para ter no bolso. Evite ingerir frituras e gorduras que normalmente são vendidos em lanchonetes, barraquinhas, etc.

4- Tenha sempre em mãos sua carteirinha de identificação de paciente diabético com nome e telefone de contato dos parentes, residência, etc.

5- É fundamental ter no bolso o açúcar líquido ou para ser usado em casos de hipoglicemia mais grave. Ele é absorvido mais rapidamente.

6- Meça sua glicemia capilar antes de sair e se possível leve seu glicosímetro para caso de se sentir mal durante a festa. isto quebra o maior galho.

7- Se for viajar  e curtir o Carnaval em outra cidade, leve consigo suas receitas  e insumos necessários. lembre-se de levar quantidade suficiente para o dobro de dias, caso haja algum imprevisto.

8- Use calçados confortáveis. lesões de pé são frequentes no Carnaval e é sempre bom previnir. Evite chinelos e sandálias abertas. Estes deixam os pés expostos a machucados.

9- Se estiver em grupo, certifique de que todos saibam que você é diabético. Muitas vezes pessoas menos avisadas podem achar erradamente que um estado hipoglicêmico é sinal de embriaguez.

10- APROVEITE O CARNAVAL.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Acaba de ser aprovado pelo FDA o mais nova opção terapêutica para diabetes tipo 2: BYDUREON

Acaba de ser aprovado pelo americano FDA o mais novo medicamento que pode ser utilizado no tratamento do diabetes tipo 2: o BYDUREON. 

O BYDUREON é considerado "primo"do recém-lançado VICTOZA e do remédio há mais tempo no mercado chamado BYETTA. A substância contida nele é o exenatide de liberação lenta. Exenatide é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.

Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja, e é contrário à ação da insulina.

Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro induzindo a uma redução da fome. O GLP-1 também atua no estômago fazendo com ele fique mais lento para se esvaziar quando nos alimentamos. Com isso, o paciente refere que quando come pequenas quantidade de alimentos já sente o estômago mais cheio, não tolerando portanto ingerir grandes quantidades de comida. 

Por isso, esta classe tem como um dos efeitos paralelos atraentes promover redução de peso. Mas é bom deixar claro: NÃO SÃO REMÉDIOS PARA EMAGRECER, E SIM PARA TRATAR DIABETES TIPO 2. ELES SÓ SÃO  INDICADOS PARA PACIENTES COM DIABETES TIO 2 E NÃO SE RECOMENDA O SEU USO PARA OBESOS NÃO-DIABÉTICOS. 

O principal fator diferencial do recém-aprovado BYDUREON é o fato de ser injetado por via subcutânea apenas semanalmente. O primeiro da classe lançado, o BYETTA, tem aplicação subcutânea 2 vezes ao dia; já o VICTOZA é injetado via subcutânea 1 vez por dia. 

É bom deixar claro que apesar de ser injetável, NÃO É INSULINA

O BYDUREON foi aprovado na Europa previamente e acaba de ser aprovado nos Estados Unidos. 

É possível que tenhamos mais esta opção disponível no mercado brasileiro em alguns meses. Porém, para isto, deveremos aguardar aprovação de nosso departamento regulamentador, a ANVISA. 

Leia mais sobre VICTOZA em:
http://www.carloseduardocouri.blogspot.com/2011/09/victoza-para-tratamento-de-obesidade.html

Leia mais sobre o diabetes tio 2 em:
http://www.carloseduardocouri.blogspot.com/2011/02/o-que-todos-paciente-deve-saber-sobre.html


Frasco com o pó do medicamento
 Exenatide de liberação lenta
Caixa do BYDUREON à venda nos EUA

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Em 23 de janeiro de 2012 iniciou-se uma nova era mundialmente: o uso de células-tronco de embriões

Em 1998 cientistas conseguiram pela primeira vez isolar e cultivar células-tronco embrionárias. O cultivo de células-tronco significa que se conseguiu obtê-las de embriões e em seguida conseguiu-se fazê-las proliferarem em ambiente controlado de laboratório. 

Todos nós sabemos o potencial das células-tronco embrionárias na medicina regenerativa, devido à sua capacidade de se diferenciar em células de quase todos os tecidos humanos. 

De maneira interessante, as células-tronco embrionárias se caracterizam em laboratório por formarem o que chamamos de teratoma, ou seja, elas são capazes de produzir tecidos benignos porém desorganizados e com células de diversas partes de nosso organismo como osso, cartilagens, etc. 

Por isso que os estudos com células-tronco embrionárias nunca podem ocorrer com a infusão direta destas células nos indivíduos, sob o risco de se desenvolver teratoma nos pacientes. 

Em outubro de 2010 pela primeira vez a um grupo de pesquisa deu início a pesquisas com células-tronco embrionárias e isto foi bem divulgado pela imprensa leiga. A Empresa americana privada chamada Geron iniciou as pesquisas com 4 pacientes portadores de lesão na medula espinhal e receberam células-tronco embrionárias que foram previamente diferenciadas (convertidas) em células neuronais (oligodendrócitos). Vale à pena ressaltar que os pacientes tiveram que receber imunossupressão por 60 dias pois as células-tronco embrionárias infundidas eram de outro indivíduo.
Por incrível que pareça este estudo nem foi publicado e todos abandonaram a nau por falta de investimento financeiro e voltou-se a estaca zero. 

Felizmente em 23 de janeiro de 2012 um grupo formado por pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Empresa Privada Advanced Cell Tecnhnology (Steven D Schwartz e colaboradores) publicaram o primeiro artigo mostrando os efeitos e segurança da infusão de células-tronco embrionárias diferenciadas em células da retina em 2 pacientes com formas distintas de cegueira, degeneração e distrofia macular. Este artigo foi publicado pela revista Lancet.

O estudo é muito preliminar e mostra principalmente segurança e em curto espaço de tempo mostra melhora na acuidade visual. Independentemente dos resultados, isto abre portas para inúmeros grupos de pesquisa trabalharem em diversos campos e em diversas doenças. 

Será que o diabetes pode ser um alvo?

A princípio sim, mas é sempre bom destacarmos que há estudos com células-tronco adultas e até mesmo do próprio paciente em andamento. Devemos lembrar também que as células-tronco adultas podem ter potencial muito bom de regeneração de alguns tecidos também. Se usarmos células-tronco do próprio paciente ainda poderemos poupá-lo da imunossupressão, pois estará recebendo células com o seu mesmo material genético. 

Não poderia deixar de mencionar que em Abril de 2007 publicamos o primeiro estudo em humamos no JAMA (Journal of the American Medical Association) mostrando os benefícios do transplante de células-tronco hematopoéticas autólogas (do próprio paciente) no controle do diabetes tipo 1 e foi novamente publicado em 2009 no mesmo jornal. 

Vale à pena destacar o promissor uso das células-tronco adultas mesenqumais que possuem propriedades regenerativas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras e são portanto uma ótima opção para os 2 tipos principais de diabetes. 

Enfim, no momento não sabemos qual a melhor célula, qual o melhor modo de infundi-las, quais as doenças serão potencialmente curadas ou amenizadas com o uso de células-tronco. Entretanto, uma coisa sabemos: estudos são necessários para testarmos nossas hipóteses e estamos vivenciando uma nova era assim como um dia se deu início à era dos antibióticos. 

Espero que estejamos saudáveis para ver o final desta história...

Imagem de um emaranhado de células-tronco embrionárias

domingo, 25 de setembro de 2011

Victoza para tratamento de obesidade?

Não há dúvida de que a obesidade é o maior ou um dos nossos maiores desafios no campo da saúde nos últimos tempos. Cerca de metade de nossa população está acima do peso e a obesidade é a porta de entrada para o surgimento de diversos males como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol e triglicérides alterados, apnéia do sono, risco aumentado de desenvolver alguns tipos de câncer.

Felizmente parece que todos sabemos o motivo de tantos indivíduos obesos:
- Alta ingestão de gorduras, frituras;
- Ingesta de grande quantidade de alimentos no geral;
- Sedentarismo;
- Baixa ingesta de frutas, verduras e legumes;
- Disseminação de lojas de fastfood;
- Horas a fio em TV, computadores e jogos.

Não obstante, muitos querem um tratamento rápido, fácil, indolor. Todos querems um milagre... Em outras palavras: queremos ser emagrecidos e não emagrecer.

É claro que a obesidade é uma doença crônica e isto não significa que os obesos sejam "fracos" por não conseguirem reduzir a ingesta de alimentos. Como outras doenças crônicas, a obesidade pode ter como opção o uso coadjuvante de medicamentos. Repito: COADJUVANTE.

Muitos pacientes pensam erradamente que os remédios substituem reorientação alimentar e exercícios regulares.

Muitos tratamentos ganham notoriedade, entretanto. Desde chás a dietas estranhas até remédios da indústria farmacêutica multinacional. Neste sentido, ultimamente muito se falou do uso de Liraglutide (nome comercial Victoza). Trata-se um remédio utilizado como injeçao subcutânea uma vez ao dia. Dentre os possíveis efeitos adversos que podem estar relacionados a este remédios temos: pancreatite,náuseas, vômitos e risco de câncer de tireóide (este último observado apenas em animais).

Estudos com Victoza se mostram muito promissores para perda de peso. Entretanto, vale lembrar que ele é aprovado no mundo todo e no Brasil para tratamento de diabetes.Repito: Diabetes.
O fato de ter um ou outro estudo em obesidade não significa que devamos utilizá-lo com este fim. Devemos esperar um grupo concreto e reproduzido de bons resultados em estudos para passar a indicá-lo de rotina no consultório para tratamento de obesidade. Temos que tomar cuidado para não queimar etapas científicas tendo como desculpa o fato de que a obesidade é uma epidemia. Os fins não justificam os meios.


Em resumo: - Victoza é um remédio para diabetes;
                   -  Estudos em obesidadade ainda são preliminares e parecem ser bem positivos;
                   - Mais dados serão necessários para a liberação por bula para ser usado para tratar exclusivamente obesidade;

Torço muito pela aprovação do Victoza para obesidade, mas vamos aguardar o desenrolar dos estudos em obesidade e duvidar de milagres, quaisquer que sejam eles!

domingo, 18 de setembro de 2011

Você sabe o que é Smart Insulin?

Enquanto pesquisadores do mundo todo procuram uma maneira de reverter o diabetes, novos medicamentos e formas de administração de insulina têm sido desenvolvidos em paralelo.

Uma das técnicas recentemente desenvlvidas chama-se Smart Insulin (traduzindo: insulina inteligente).
Em termos básicos, trata-se de um polímero que contém insulina (linha laranja na figura abaixo)  ligada a moléculas de glicose (hexágono laranja).Quando a glicose no sangue do paciente se eleva a insulina anteriormente ligada ao polímero de glicose passa a se "descolar" desta estrutura  e começa a ser absorvida pela corrente sanguínea.

A Smart Insulin é injetada por via subcutâneaamada de  uma vez ao dia. Mas por que ela é chamada de inteligente? Porque ela é liberada automaticamente de acordo com o valor da glicose no sangue.  Em outras palavras: se a glicose está alta, a insulina é libeada e se a glicemia está baixa, não há liberação da insulina. Além disso, evita que o paciente faça contagens rígidas de carboidratos, tenha menos hipoglicemia e evita múltiplas injeções de insulina ao dia.

Acesse o site da empresa que desenvolve produto em http://www.smartinsulin.com/ .

Vamos aguardar o andamentos desta pesquisa... 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lançamento do Livro "O Futuro do Diabete"

Não temos dúvida de que a maior arma para combater o Diabetes é a informação, pois o Diabetes tem duas características que o tornam uma doença extremamente perigosa:
1- É uma doença sienciosa;
2- É repleta de mitos.

Digamos que metade do tratamento depende dos conhecimentos técnicos do médico e metade depende da colaboração do paciente.

Muitos pacientes procuram "curas"; procuram algum tratamento comprovado ou não para voltar a ter aquele estilo de vida ruim de antes, como sedentarismo e alimentação desregrada e desmedida.

Há também muitos pacientes querendo saber as novidades e também sedimentar bem o conceitos clássicos do tratamento do diabetes atual.



Por isto, o livro "O Futuro do Diabete" , da Editora Abril e de iniciativa da direção de redação da Revista Saúde, tem por objetivo mostrar e explorar bem os conceitos atuais do tratamento e dar uma pitada no que está por vir em termos de tecnologias, novas vias de aplicação de insulina e novas biologias em p´rol do paciente diabético.

É bom deixar claro: este livro definitivamente não é para aqueles que negam o diabetes e que querem se livrar dele a qualquer custo.

O lançamento será dia 30 de julho, sábado, na Livraria Para Ler no Ribeirão Shopping (Ribeirão Preto)

Ele será distribuído para bancas e livrarias de todo o Brasil após o seu lançamento.


Convite para o Lançamento do Livro "O Futuro do Diabetes" do Dr Carlos Eduardo Barra Couri


domingo, 3 de julho de 2011

É possível se "fabricar" células-tronco embrionárias a partir de outras células adultas?

Esta pergunta é de se espantar, não é?  Mas saiba que é possível sim e elas têm um nome: iPS (do inglês, induced pluripotent stem cell)

Em 2007 pesquisadores de Tóquio criaram uma pesquisa super-interessante. Eles pegaram células da pele de uma pessoa e as fizeram crescer em laboratório. Em seguida, inoculou nestas células um virus que continha genes que faziam estas células da pele se reprogramar e se "transformarem" em células embrionárias.

Em 2011, pesquisadores da Harvard, Estados Unidos, replicaram este feito com uma grande vantagem: eles inocularam o material genéticos nas células sem necessidade do vírus e sem expor as células aos possíveis efeitos colaterais da infecção viral.

Mas quais são as perspectivas?

1- Não precisaríamos usar embrões para adquirir células-tronco e evitaríamos quaisquer questões religiosas e éticas;

2- Poderíamos utilizar iPS de células da pele do próprio paciente, evitando assim rejeição;

2- Poderíamos criar órgãos com o DNA do paciente.


Quanto ao seu uso em pacientes diabéticos, não há data para início das pesquisas em humanos, mas é bom deixar claro 2 coisas:

a) No diabetes tipo1, não adianta regeneramos as células produtoras de insulina sem atuarmos no sistema imunológico (lembrem-se de que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune!)

b) No diabetes tipo 2, não adianta usar células-tronco para regenerar as células produtoras de insulina nestas pacientes se o paciente mantiver-se sedentário e com aumento de circuferência abdominal.

Vamos aguardar cenas dos próximos capítulos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Projeto Educando Educadores da ADJ /SBD

Em nosso blog, sempre tento explorar as novas tecnologias que temos em mãos no momento e que estão por vir. Entretanto, de nada adianta novas insulinas, novos medidores de glicose, uso de células-tronco se os pacientes não entendem o diabetes.
Infelizmente o diabetes é uma doença que envolve muitos mitos e por isto, na minha opinião, a EDUCAÇÃO é tudo.

Neste sentido a Associação de Diabetes Juvenil e Sociedade Brasileira de Diabetes realizaram vários eventos de educação para pessoas que vão ensinar o paciete diabético a entender a doença e se cuidar melhor. Este projeto se chama EDUCANDO EDUCADORES. Ou seja, este projeto ensina como educar um paciente diabético.
Já houve 13 edições ao longo de todo o Brasil e finalmente chega uma edição em Ribeião Preto -SP.Trata-se de um curso teórico/prático em que os conhecimentos são transferidos de forma clara, objetiva, vivencial e completamente participativa (veja figura abaixo).
É claro que, para o paciente diabético, é fundamental também a curiosidade, a vontade de aprender e entender.

Saiba mais informações no site da ADJ (http://www.adj.org.br/)  e no site da SBD (http://www.diabetes.org.br/) .

SEM INFORMAÇÃO NÃO ADIANTA TECNOLOGIA!


domingo, 19 de junho de 2011

Lançado o Projeto Emagrece Brasil

Sabemos das intempéries provocadas pelo excesso de peso. Infelizmente a obesidade não é apenas um acúmulo de tecido gorduroso inerte. A gordura infelizmente produz substâncias inflamatórias e que provocam a resistência à ação de insulina.
Qual a melhor maneira de medir a gordura? Quem respondeu balança ERROU. Hoje, a gordura mais importante a ser medida é a gordura localizada na barriga.  A gordura que estou falando não é aquela debaixo da pele (subcutânea). Estou falando daquela gordura localizada dentro da barriga, ao redor das nossas vísceras. Trata-se daquela famosa barriga "dura".
Muitas vezes o paciente parece até ser magro, mas quando tira a camisa surge aquela barriga saliente.
O limite da barriga é 80cm para mulheres e 90cm para homens.
A barriga pode trazer diversos problemas, como por exemplo:
- diabetes tipo 2;
- hipertensão;
- alteração de colesterol e triglicérides;
- gota (associada ao aumento de ácido úrico)
- apnéia do sono;
- alguns cânceres como de inestino, próstata, etc.
- infarto;
- derrame cerebral (AVC)

Estima-se que cerca de metade dos brasileiros esteja acima do peso. METADE. Em pouco tempo, será mais comum estarmos acima do peso.

Quais os maiores vilóes para o surgimento da obesidade? Entre eles estão sedentarismo, horas assistindo TV, horas usando computador, uso de carro e ônibus para tudo, ingesta excessiva de alimentos.

Por isto, na minha opinião, a obesidade não é apenas um problema médico. Medidas de saúde geral como educação, locais adequados para prática de exercícios como praças e quadras públicas, aulas na escola para crianças explicando maneiras de melhor se alimentar e se exercitar estão nas principais frentes para reverter a "epidemia" de obesidade.

Além de medidas públicas de incentivo, iniciativas privadas sção muito bem recebidas. Uma das mais promissoras é o Projeto Emagrece Brasil.

Em 17 de junho de 2011 foi lançado pela revista Saúde e Boa Forma da Editora Abril num coquetel em estavam presentes o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representantes dos Ministérios da Educação e Esportes, Gilberto Kassab (prefeito de São Paulo) e o presidente da Editora Abril, Robeto Civita. Estavam presentes médicos e pessoas que direta ou indiretamente atuam no tratamento da obesidade e suas complicações.

Obviamente que eu apóio esta iniciativa da Editora Abril e torço para que surjam iniciativas ainda maiores de outras empresas privadas.

Para saber mais sobre o Projeto Emagrece Brasil acesse http://www.emagrecebrasil.com.br/